10º Domingo do Tempo Comum

Após o período pascal e as grandes solenidades que celebramos, a Igreja retoma hoje os domingos do Tempo Comum. Convida-nos a seguir Nosso Senhor que passa pelas estradas da Palestina e que também percorre os caminhos da nossa vida. Este tempo, chamado de comum, é, na verdade, um tempo extraordinário e de grandes graças no qual nós podemos viver com Jesus aqueles três anos de sua vida pública. 

Ao longo desses domingos – este ano através do Evangelho de Marcos – , ouviremos as pregações do Senhor e, com muita fé e devoção, seremos testemunhas das curas que Ele realizou. Aprenderemos com cada detalhe que nos será contada pelo evangelista, de tal forma que aqueles mesmos fatos, de forma concreta, possam ser também experimentados por nós.

De fato, irmãos, não temos o que invejar daquelas pessoas que viram Jesus ou que tiveram a graça de escutar algum de seus sermões, ou mesmo de estar perto Dele. Isso porque nós temos a certeza da sua presença redentora, hoje e aqui: ouvimos a sua divina voz ecoando nesta Igreja pela proclamação da Sagrada Escritura e de maneira muito especial e particular Ele está vivo em nosso meio através da sua presença real na Santíssima Eucaristia.

Hoje o Senhor é muito claro sobre (I) as dificuldades que nós enfrentaremos ao segui-lo, (II) nos alerta para o pecado que não há perdão e (III) nos convida a fazer parte da sua família. Acompanhemos esse breve itinerário de meditação que muito nos ajudará a crescer na amizade com o Divino Redentor.

I. Sobre os que recusam Jesus 

As acusações que dirigem a Jesus são sérias. As autoridades judaicas, para desacreditar seu ministério e sua pregação, dizem que suas obras eram de origem diabólica. Hoje as acusações continuam e, desta vez, contra o Corpo de Cristo, a Igreja. 

Que nós também, como Jesus, não nos importemos com as acusações que o mundo faz a nós. Nos rotulam de loucos, dizem que somos fanáticos e fundamentalistas, acusam-nos de sermos atrasados e mente fechada. Usam esses e tantos outros adjetivos para desqualificar não só a nós, mas os próprios ensinamentos de Jesus, que nós temos a missão de transmitir.

Se na própria família de Jesus teve quem pensasse assim, como poderíamos esperar que fosse diferente conosco, nos dias de hoje? Num mundo que respira ódio e violência a tudo que diz respeito a Cristo e ao cristianismo.

Mas, como o próprio apóstolo nos disse na leitura que ouvimos, não podemos desanimar por isso e nem por qualquer outro motivo. De fato, “o volume insignificante de uma tribulação momentânea acarreta para nós uma glória eterna e incomensurável” (2Cor 4, 17) no Céu!

II. O pecado sem perdão: rejeitar a Deus

Que pecado é esse que não tem perdão? Qual é essa blasfêmia contra o Espírito Santo que torna alguém culpado de um pecado eterno? É claro que não se trata apenas de alguma palavra proferida contra a terceira pessoa da Santíssima Trindade. É, na verdade, a rejeição da salvação que Deus nos oferece através do seu Filho no Espírito Santo. 

Só há perdão se há arrependimento, se há propósito de mudança, se há intenção de conversão. Não nos iludamos: há muitos pessoas que morrem não só rejeitando a Igreja e os sacramentos, mas que deixam esta vida compactuados com o mal, sem desejo algum de amar a Deus e arrastando até ao fim o seu ódio ao bem. 

O pecado contra o Espírito Santo é a escolha, que está cada vez mais comum entre os homens e as mulheres, de rejeitar a redenção, de dizer “não” à salvação que nos conquistou Nosso Senhor no calvário. É decisão de viver preso ao pecado e não dar o passo de confessar seu pecado e buscar o perdão e a graça da vida nova.

Desta forma, a serpente, como no paraíso ao enganar nossos pais, continua sussurrando no ouvido de tantas pessoas a mentira de que Deus não é um amigo, mas um inimigo, do qual se deve ter medo e se esconder.

III. A família de Jesus

Longe de qualquer desrespeito com a sua Santíssima Mãe – como alguns mal intencionados querem fazer ao interpretar o evangelho que ouvimos – na verdade, Nosso Senhor aproveita a ocasião para um grande elogio à Virgem Maria.

Uma palavra ofensiva ou mesmo de desprezo de Jesus em relação à sua mãe seria um pecado contra o 4º mandamento da Lei de Deus que manda honrar pai e mãe. E sabemos muito bem que Jesus não pecou!

De fato, o que o Senhor diz no Evangelho se aplica, melhor do que a nenhuma outra pessoa, à Nossa Senhora, aquela que fez plenamente a vontade de Deus em toda a sua vida; aquela que disse: faça-se em mim segundo a tua Palavra!

Além disso, essa afirmação de Cristo nos faz perceber que os laços de sangue que nos une à nossa família são importantes, mas devem estar sempre submetidos à nossa relação com Deus.

Com essas palavras, o que nosso Divino Mestre deseja também é que, motivados pelo seu pessoal exemplo e também apoiados pelo testemunho de Maria, que nós sejamos sempre dóceis à vontade do Pai, para sermos incluídos em sua família. Que São José e Nossa Senhora nos ajudem a viver a vontade de Deus, virtude que é a característica fundamental da Família de Nazaré.

Ao concluir esta meditação, diante de toda a circunstância dramática que estamos passando, é impossível não notar, na sensibilidade de Nosso Senhor, ao escolher, através da Igreja, essas leituras que ouvimos para a Missa de hoje, de modo particular através do final da epístola, uma mensagem especial de conforto para aqueles cujos familiares partiram desta vida.

Eis, irmãos, a mensagem esperança que Jesus nos diz através do apóstolo: “De fato, sabemos que, se a tenda em que moramos neste mundo for destruída, Deus nos dará uma outra moradia no céu que não é obra de mãos humanas, mas que é eterna (2Cor 5, 1). Que a alma dos fiéis que já celebraram a sua páscoa definitiva, descanse em paz!

Sagrada Família, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)