11º Domingo do Tempo Comum

Como nos faz bem notar este detalhe: Nosso Senhor – que é Deus – a Sabedoria Eterna, quando nos ensina não usa palavras difíceis, nem faz raciocínios abstratos, mas fala-nos com simplicidade, de modo que qualquer um, por mais humilde que seja, possa compreendê-lo.

 De fato, os que se consideram sábios, diante dos divinos ensinamentos de Jesus, ignoram ou tampam os ouvidos para não escutar a Verdade, que é Jesus Cristo.

A comparação que Deus usa, no evangelho e na leitura que ouvimos, é bem simples. Para nós, que vivemos próximos ao campo, é uma imagem muito próxima: o profeta Ezequiel fala-nos de uma árvore com grande copa, e Nosso Senhor diz-nos sobre grãos e espigas, sobre plantio e colheita

De fato, é olhando para essas coisas simples que podemos aprender a reconhecer a lógica do reino dos céus: ele é como uma semente, que cresce em silêncio e depois torna-se uma grande árvore, capaz de acolher a todos. 

Assim como Jesus explicava as parábolas aos discípulos, ouçamos a sua voz, na voz da Igreja, que hoje também nos ajuda a entender a comparação que Ele nos propõe. 

1) O Reino cresce em silêncio dentro de nós

Na escola era muito comum os alunos fazerem a seguinte experiência: colocar um grão de feijão no copo com algodão e acompanhar, dia após dia, o misterioso crescimento daquela planta. Assim é o reino de Deus crescendo em nós: aos poucos, sem violência, quase que de modo oculto

E da mesma forma como se maravilha aquele que, após jogar a semente no campo, a vê crescer e a dar frutos, assim também devemos nós olhar para a nossa vida interior: tudo é graça! É o Senhor quem faz tudo, Ele é o semeador, Ele é a semente, Ele que a faz crescer a dar frutos. Cabe-nos deixar que Ele faça em nós a sua vontade. 

É nesse sentido que, quando no Pai Nosso pedimos “venha o vosso Reino”, estamos não só pedindo a segunda vinda do Senhor, mas pedimos que Ele venha e reine já em nossos corações e na sociedade. E dessa forma nós também passamos a cooperar com o seu reino, espalhando as suas sementes, como disse Jesus. 

Essa comparação entre o reino e a semente é um convite também à paciência. Estamos nos acostumados a ter as coisas sempre de maneira rápida, e, muitas vezes, ter que esperar é difícil. Mas observar o crescer das plantas nos ajuda a aprender a esperar o “tempo” de Deus: nem rápido, nem muito devagar, mas no tempo certo!

Este silêncio também nos fazer lembrar de tantas obras de caridade que a Igreja sustenta e que não estampam os jornais nem é motivo de elogios e aplausos da sociedade. Sem espetáculos o reino do amor cresce, sem fazer ruídos, mas espalhando a caridade na verdade. 

2) Cuidado com a soberba e manias de grandeza

Tanto no Evangelho quanto na profecia de Ezequiel, além de trazer figuras da vida vegetal, ambos os trechos bíblicos concordam em outro aspecto: no da escolha preferencial de Deus pelo que é pequeno. Vejam quem Deus escolhe na Bíblia: Os fracos e pequenos, para confundir os grandes e os fortes. E aqui temos um aviso importante: tomemos cuidado com a soberba

Esse terrível “vírus”, que podemos chamar também de arrogância, além de nos afastar da verdade – pois acabamos acreditando ser o que de fato não o somos – também não nos permite corrigir e aprender. Faz-nos autossuficientes e, por fim, termina por nos sufocar com a mentira

A “vacina” para esse mal é a humildade, que nos faz reconhecer quem de fato nós somos, e nos permite acolher as orientações necessárias para as mudanças em nossas vidas. Como disse S. Tiago: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4, 6). 

3) O Reino é uma árvore grande, onde cabem todos

Diz o Catecismo da Igreja: “Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus.” (n. 543). É importante ouvir isso mais uma vez, ainda que soe repetitivo: Nosso Senhor veio para salvar a todos. Que ninguém se sinta excluído do plano de salvação de Deus. 

Para concluir, desejo que as palavras do Apóstolo, que ouvimos na segunda leitura, aumente em nós a na vida eterna e nos encha de esperança na ressurreição, particularmente nestes dias em que se multiplicam as despedidas desta vida terrestre, tão frágil e passageira, de tantos irmãos nossos. Como disse S. Paulo, somos peregrinos, não vemos a hora de chegar em casa!

Maria, virgem fiel, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

Esquema:

Parábola do crescimento das plantas: virtude da paciência. “Faça tudo como se dependesse de você sabendo que tudo depende de Deus” (Santo Inácio de Loyola). “A paciência tudo alcança” (Santa Teresa D’Ávila).

Parábola do grão de mostarda: virtude da humildade (perigo da soberba, prepotência, arrogância)