13º Domingo do Tempo Comum

Poderíamos chamar este domingo de “o domingo da vida”. É certo que em todo domingo fazemos memória da ressurreição do Senhor, a nossa páscoa semanal, mas hoje, de maneira especial, o assunto da nossa catequese com Jesus é justamente sobre esse tema. 

Mas para falar da vida, o Senhor fala-nos também de um assunto que para muito dá medo: a morte. Ele toca neste tema, tão sensível – mais ainda nesses dias – porque quer nos encher de esperança, porque quer nos ensinar a verdade!

Jesus está em Cafarnaum. Duas pessoas precisam falar com Jesus com muita urgência: um pai, cuja filha está agonizando, e uma mulher que gastou tudo que tinha para curar uma doença que ainda lhe fazia sofrer. 

É nesse cenário em que vamos aprender que: a verdadeira morte é o pecado e que a nossa fé na vida eterna nos dá a certeza de que a morte física não é o fim.

1. A verdadeira morte: o pecado

O livro da Sabedoria nos lembrou que a morte não provém de Deus, mas é uma limitação própria da condição humana após o pecado. Não fazia parte do plano original do criador, pois “Deus criou o homem para a imortalidade (Sb 2,23).

Portanto, o grande perigo que nos cerca não é a morte física, mas a morte espiritual, que é o pecado. Essa é a verdadeira morte porque mata a vida divina dentro de nós. “A morte da alma é não temer a Deus” (1). 

Já a morte terrena é na verdade um sono, em que dormimos para esta vida e acordamos junto com Deus (2). Sim, pois como disse o salmista: “se à tarde vem o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria” (Sl 29, 6). No final será assim: seremos despertados para a eterna felicidade!

2. A fé na ressurreição

Diante da morte física, que nos dá medo e angustia o nosso coração, há um importante fato que devemos nos lembrar: o Senhor venceu a morte (3). E nisso que cremos, essa é a nossa fé!

Após a ressurreição de Jesus a morte ganha um novo significado. Se antes era nossa grande inimiga, agora é a porta para a vida definitiva, atrás da qual o Pai nos espera para um abraço eterno, para permanecer para sempre com Ele e, enfim, nosso coração encontrar o verdadeiro repouso e a alegria que não termina. 

Observem esta minúcia. Quando Jesus disse que a menina não estava morta, mas dormia, começaram a rir dele. Assim como riem de nós aqueles que não acreditam no céu, na vida eterna, na ressurreição. Para muito, tudo isso que estamos falando é um absurdo, fruto da nossa imaginação, coisas criadas pela nossa cabeça por medo de morrer. Que ria o mundo, enquanto nós cremos na vida em Cristo que não termina! 

3. O Senhor consola os enlutados

Jesus não é indiferente aos nossos sofrimentos, particularmente à dor de quem perde a presença física daqueles a quem ama. E o evangelho nos mostra isso com detalhes muito sensíveis: Ele se comoveu ao ver a viúva de Naim indo sepultar o seu único filho (4); Ele chorou com Maria e Marta quando perdeu seu amigo Lázaro (5). 

A única resposta a tanta dor e sofrimento que pode dar um pouco de luz em meio às trevas é esta: a fé. Tanto é verdade que Jesus fala sobre a fé tanto para a mulher que foi curada, quanto para o pai que acaba de receber a notícia da morte de sua filha. 

A todos, mas particularmente aos que recentemente sepultaram seus familiares e amigos, o Senhor diz: “ânimo, é absolutamente certo que existe a ressurreição: a menina dorme, não está morta; repousa, não está perdida para sempre” (6). 

Concluo com esta importante observação: “Jesus ordenou dar de comer à menina ressuscitada e, também, a nós nos ordena agora dar-lhes de comer; e mais, se nos dá ele mesmo para comer: ‘Tomai, comei: isto é o meu corpo’ (Mt 26,26).” (7). Sim, vamos comer o Santíssimo Corpo Daquele que disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre” (Jo 6, 51). 

Maria, mãe dos que choram, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)


(1) São João da Cruz, Cântico Espiritual, 2, 7. (2) cf. 1Ts 4,13-14. (3) cf. 2Tm 1, 10. (4) cf. Lc 7, 13. (5) Jo 11, 35. (6) São João Crisóstomo, Comentário ao Evangelho de Mateus, 31, 2. (7) (7) Raniero Cantalamessa, Echad las redes, ciclo B, p. 219.