15º Domingo do Tempo Comum

No dia do Senhor, Ele mesmo reúne a sua família para que nós, com os irmãos do céu e com os irmãos da terra, possamos adorar, agradecer, pedir perdão e apresentar nossos pedidos a Deus – eis as quatro finalidades do Santo Sacrifício da Missa. E nesta ocasião o nosso Divino Mestre também nos ensina. Estas são as três importantes perguntas que hoje nos são respondidas: De onde viemos e para onde vamos? Como devemos viver? E o que anunciamos? 

1. De onde viemos e para onde vamos? 

Para a clássica pergunta: “quem sou eu?” São Paulo nos dá uma resposta: fomos escolhidos por Deus em Jesus Cristo! (1) E continua: somos partes de um grande projeto do Pai, fomos libertos da escravidão do pecado e redimidos, fomos enriquecidos por sua graça, fomos chamados a viver esta vida bem unidos a Cristo.

E Paulo vai além: fomos criados para a glória de Deus, agora e para sempre. Por isso, marcados com o selo do Espírito Santo (ou seja, batizados), somos herdeiros da vida divina

O Senhor nos escolheu antes mesmo de criar o mundo! Não somos frutos do acaso, ninguém nasceu por acidente, a vida é iniciativa divina. Notem este pormenor: por três vezes o apóstolo disse: “para o louvor da sua glória”. É como o refrão desse hino paulino. Faz tal afirmação porque foi precisamente para isso que fomos criados!

“Não porque Deus precise do louvor de alguém, disse S. Jerônimo, mas para que seu louvor beneficie aqueles que o louvam, e embora conheçam sua majestade e grandeza em cada uma de suas obras, se levantam para louvá-lo em um milagre de admiração”. (2) 

Foi sobre isso que ouvimos na primeira leitura: a origem divina da vocação profética de Amós. Fica-nos claro duas coisas: tanto o nosso chamado, quanto a mensagem que a Igreja anuncia, tem origens divinas. Amós sabe bem quem o escolheu, por isso é valente, corajoso, não teme as ameaças dos fortes e dos poderosos. Ainda que tal anúncio cause incômodo, como foi com Amós, a Igreja não pode deixar de anunciar a salvação e lembrar aos homens da sua maior vocação: a vida celeste, a vida divina, a santidade

2. Como devemos viver? 

A sobriedade no modo de vida e no jeito de se vestir que Jesus ensina aos apóstolos não é apenas a proposta de um sinal externo ou uma vida de aparências. O que o Senhor quer deixar claros aos discípulos, e também a nós, é que a nossa única segurança é Ele, e que não há maior riqueza do que aquela que é ter encontrado Cristo, o tesouro escondido.

Os apóstolos não devem apresentar-se como mendigos, nem tampouco como acumuladores de coisas supérfluas (3). Mas se vestir com humildade, vivendo sem apegos materiais, cultivando a verdadeira pobreza evangélica

Um detalhe muito oportuno para os nossos dias são as orientações de Jesus para as ocasiões de fracasso na pregação apostólica. Sim, Jesus deixou claro, desde o começo, que nem sempre o anúncio do Evangelho é acolhido, há muitos que rejeitam a salvação!

3. O que anunciamos? 

Jesus não veio apenas para aqueles pouco mais de mil pessoas que tiveram a alegria de encontrá-lo pelas estradas de Israel. A sua missão deveria continuar, e por isso criou a Igreja para que, através dela, continue seu apostolado de modo que homens e mulheres, de todos os tempos e lugares, tenham a oportunidade de ouvir suas palavras e sentir o toque de sua graça

A missão da Igreja é anunciar o Evangelho da Salvação: convidar a conversão e ensinar a santidade. Ela faz eco às palavras de Jesus quando nos exorta abandonar a escravidão do pecado. Dá a graça da vida divina (a santidade) pelo sacramento do Batismo. É a Igreja que continua a curar os doentes, como Cristo fazia, através da Unção dos Enfermos.

E quando é que a Igreja expulsa os demônios e manifesta seu poder sobre os espíritos impuros? É claro que de modo especial no sacramental do Exorcismo, mas isso também acontece todas as vezes que nos ajoelhamos no confessionário e arrependidos buscamos o perdão. Ali acontece o aniquilamento do poder diabólico, uma verdadeira cura, uma ressurreição da morte

E atenção! A Igreja anuncia Jesus Cristo e a sua Verdade não porque deseja simplesmente aumentar o número de seus adeptos, muito menos para fazer crescer seu poder. O que nós, os discípulos do ressuscitado, fazemos é anunciar a graça da salvação, da forma como o Senhor nos ordenou fazer: batizando e ensinando. Em síntese, a missão dos apóstolos é conquistar corações para o Senhor

E quais milagres os apóstolos do nosso tempo podem hoje realizar para que o mundo creia? Além dos milagres que acontecem graças aos Sacramentos, é importante acrescentar: neste mundo secularizado (que “dispensa” Deus) o concreto anúncio se dá pelo testemunho de uma vida santa, da prática das virtudes e um estilo de vida próprio de uma pessoa que espera o céu. Esse “milagre” é capaz de comover os corações duros dos indiferentes e dos incrédulos. 

Maria, auxílio dos cristãos, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)


(1) Cf.  São João Paulo II, Homilia, 15 de agosto de 1979. (2) S. Jerônimo, Comentário a Carta aos Efésios, 1, 14. (3) D. Bonhoeffer, El precio de la gracia. El seguimiento, Sigúeme, Salamanca 1999, pp. 136-138.

TEXTO PARA MEDITAÇÃO

“Devemos ter cuidado para não interpretar mal a frase de Jesus sobre ir embora e também sacudindo a poeira de seus pés quando eles não são recebidos. Isso, na intenção de Cristo, era ser um testemunho “para” eles, não contra eles. Deve servir para fazê-los entender que os missionários não vieram por interesse, para tirar dinheiro ou outras coisas deles; que, além disso, não queriam tirar nem mesmo o pó dele. Eles vieram para sua salvação e, ao rejeitá-los, eles se privaram do maior bem do mundo”. (Frei Raniero Cantalamessa, ofmcap, Les envió de dos en dos, XV domingo del tiempo ordinario, ciclo B).