16º Domingo do Tempo Comum

Eis o doce convite que o Divino Mestre dirigiu aos apóstolos e hoje dirige a nós: “vinde e descansai um pouco”. Em todos os domingos Ele nos chama ao descanso, neste dia sagrado, o Dia do Senhor. Se hoje é de fato o dia do repouso, ele só alcança seu objetivo com a participação na Santa Missa, onde encontramos Aquele que também disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). 

Hoje a figura do Pastor e do rebanho, uma imagem tão frequente nas Sagradas Escrituras, é nos apresentada, neste ensinamento dominical, para ilustrar não só a nossa relação com Deus, mas também a nossa relação com os outros e com nós mesmos. Duas palavras podem nos ajudar a compreender essa dinâmica: descansar e cuidar.

1. Aprender a descansar

A nossa vida, assim como a dos apóstolos, deve ser plena de entrega e doação aos demais. Seja no trabalho, na família e na sociedade, experimentamos nós também o cansaço daqueles que se doam. Por isso descansar é um dever. Tanto é verdade que um mandamento nos ordena a “Santificar o domingo e as festas”, como ocasião de oração e descanso.

Mas compreendamos: descansar não é não fazer nada. É a ocasião – como ouvimos no evangelho – de estar a sós com o Senhor. O convite para ir a um lugar deserto, que fez Nosso Senhor, é a indicação do necessário silêncio, que tanta falta nos faz; da necessidade que nós temos de estar com Ele, sozinhos.

Vale lembrar que o verdadeiro descanso para a alma encontramos na Santa Missa, na leitura da Bíblia, na oração do terço, no tempo de Adoração Eucarística, numa visita que fazemos ao Santíssimo Sacramento. O descanso para o corpo encontramos no justo repouso ao dormir o necessário e no cuidado com a saúde. O repouso para o espírito está na leitura de um bom livro e ao fazer uma atividade que nos descansa. 

Hoje devemos sair desta Igreja convencidos disso: só no Senhor encontramos verdadeiro descanso, aquele que é capaz de refazer as nossas forças e nos dá ânimo e coragem para continuar as nossas atividades. Quanto bem nos fará se aprendermos isso!

2. Aprender a cuidar 

O profeta Jeremias é bastante claro em sua crítica aos maus pastores que deixam as ovelhas do Senhor se perder. E ao mesmo tempo profetiza uma mudança radical: Deus mesmo virá apascentar seu rebanho. Eis uma profecia da encarnação divina: Jesus é o verdadeiro pastor. 

E é a partir do divino cuidado de Jesus para conosco que devemos também nós cuidar daqueles que nos são confiados. Por isso, não só os padres são pastores, mas de certa forma, cada um, em sua responsabilidade – seja familiar (avó, avó, mãe, pai, filhos) ou profissional (empregados e empregadores) –  também tem o dever de “apascentar”: cuidar, orientar e em tudo amar.

As palavras da profecia são para nós, os sacerdotes, que partilham da missão pastoral de Jesus – o único pastor – uma severa advertência e ao mesmo tempo são palavras consoladoras. Se por um lado devemos tomar todo cuidado para que o rebanho não se disperse, simultaneamente nos faz bem saber que quem pastoreia, através de nosso ministério, é o próprio Senhor. Por isso, basta fazer o que Ele manda. 

A unidade das rebanho é recordada pelo apóstolo na epístola: do que era dividido, fez unidade; fez-nos um só corpo, a Igreja. E mais, pela encarnação, morte e ressurreição de Jesus, foi-nos aberto o acesso a Deus. É a unidade de nossa mãe, a Igreja Católica, que, ao mesmo tempo que está dispersa em todos cantos da terra, falando as mais diversas línguas, é um só rebanho, guiado por um único Pastor. 

Aquelas palavras que Jesus disse, movido por compaixão, ainda fazem sentido ao olhar para a multidão de pessoas que nos cercam: vivem como ovelhas sem pastor. Que nós cuidemos para que nossos filhos, amigos, familiares, conheçam e vivam no rebanho de Jesus – a Igreja – e aqui, neste único redil, encontrem a verdadeira felicidade.

Rezemos, hoje, pelos nossos pastores: que não lhes falta ânimo e nem o divino temor diante da missão de continuar, através da sua vida e ministério, o cuidado pastoral de Jesus pelo rebanho que não é nosso, mas é Dele! 

Maria, divina pastora, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

TEXTOS PARA MEDITAÇÃO

O Senhor é meu pastor, nada me falta. A docilidade da ovelha ao pastor é um convite para que na nossa relação com Deus tenhamos sempre total confiança Nele. Por isso não nos falta nada, porque sabemos que Ele está cuidando de nós. Nesta vida de peregrinos, no qual caminhamos ora por verdes pastagens e ora em vale tenebrosos, lembrar-se dessa verdade é confortador: não estamos sozinhos nesse “vale de lágrimas”. Aquele que quer a nossa salvação vai conosco. Ele quer que vivamos com Ele, por toda eternidade, em sua casa. 

Uma mesa, o cálice, o óleo: os sacramentos. Hoje, as promessas deste salmo se cumprem, diante dos nossos olhos. O Senhor nos prepara um banquete, é o Banquete Eucarístico. Com o óleo Ele nos unge, e faz isso através dos sacramentos, especialmente no Batismo, que nos admite na família de Deus, na Crisma, que nos fortalece para a imitação de Cristo, e na Unção dos Enfermos, quando enfim estamos a caminho da pátria eterna.