19º Domingo do Tempo Comum

Ainda estamos no dia seguinte à multiplicação dos pães, e Jesus, na sinagoga de Cafarnaum, continua a sua catequese sobre a Eucaristia. Para nos ajudar a compreender o mistério que nos é revelado por Nosso Senhor, a Igreja nos fez ouvir um importante episódio da vida do profeta Elias. 

Por isso, podemos considerar a Eucaristia em um duplo sentido: como alimento que dá força nesta vida e como semente de eternidade plantada em nosso coração. Partilhemos esses dois aspectos: 

1. A Eucaristia nos dá forças nesta vida

A nossa vida é como uma peregrinação rumo à eternidade. E, ao longo deste percurso, não são poucas as dificuldades e por isso pode ser que desanimemos. Foi isso que aconteceu com Elias – perseguido por defender a fé – que se cansou e viveu uma profunda triste, uma depressão.

Até mesmo o “homem de Deus” se sente deprimido, abatido e abandonado e por isso quer desistir. Essa cena é bastante impressionante: uma das pessoas mais importantes do Antigo Testamento, um gigante da fé, o homem da profecia, está desanimado. Notem isto: aqueles que vivem bem perto do Senhor também têm as suas fragilidades

Mas Deus não abandona o profeta. Prepara pra ele um alimento. Tal gesto de ternura de Deus é um sinal da bondade do Senhor que não se esquece de seus filhos e que cuida de cada um de nós com um amor especial. Quando tudo parece sem saída e pensamos em desistir Deus nos enche de força. 

O alimento misterioso – o pão e a água – são prefigurações da Eucaristia. O monte para o qual o profeta caminha (e nós também caminhamos) é a imagem do Céu. Quarenta dias simbolizam o tempo de uma vida, da nossa própria vida, o tempo da caminhada no deserto em direção à terra da promessa.

A figura angélica que diz “levanta-te e come!” é a imagem da Igreja que convida-nos a nos levantar e a comer da Santíssima Eucaristia, onde encontramos forças para continuar o longo caminho. O momento no qual o Senhor nos encontra cansados e “recarrega” as nossas baterias espirituais, como fez com o profeta, é a Santa Missa

Em outras palavras, a Eucaristia é o alimento que nos sustenta nessa vida e nos levará até o Céu. Infeliz daquele que pensa que pode percorrer a estrada desta vida sem este Divino Alimento.

2. A Eucaristia nos leva para o céu

No início da Igreja era muito comum chamar a Eucaristia de Viático, palavra que usamos ainda hoje para falar da hóstia consagrada quando levada às pessoas que estão perto da morte. Os romanos chamavam de viático o pouco de alimento que eles levavam consigo para uma viagem. De fato, a Eucaristia é o “alimento para a viagem”, para esta peregrinação rumo ao reino definitivo.

Se os nossos pais no paraíso, por comer do fruto proibido, fizeram entrar a morte no mundo, é através do Sagrado Alimento – a Eucaristia – que a vida verdadeira é plantada em nós. Entendamos bem, quem comunga não só recebe a promessa da imortalidade futura junto de Deus, mas tem já, desde agora, a vida divina em sua alma

Aproveito desta ocasião para recordar-vos, irmãos, a importância da Comunhão Eucarística para os nossos irmãos doentes. Se em nossas casas ou em nossas famílias, ou mesmo em nossa vizinhança, conhecemos um católico que está gravemente enfermo, chamemos o sacerdote. Como nos serão gratos no Céu aqueles que ajudamos a preparar-se para o encontro com o Senhor!

Por fim, é importante lembrar: não há maior felicidade para um cristão do que receber o Corpo do Senhor. Nele encontramos a força que nada e ninguém nesta vida pode nos dar. A Eucaristia cura nossas feridas espirituais, nos ajuda a crescer nas virtudes e nos fortalece na luta contra o mal. Sim, “a participação no Corpo e Sangue de Cristo não faz outra coisa senão transfigurar-nos naquele que recebemos”, e desta forma “quem comunga recebe uma promessa ainda mais segura da felicidade eterna” (1) 

Não descuidemos do preparo para receber a Eucaristia (confissão, jejum eucarístico, roupa adequada, etc.), da participação frequente na Santa Missa e da visita ao Santíssimo Sacramento para a comunhão espiritual. De fato, o que foi dito à amiga de Jesus, que chorava a morte de seu irmão, continua sendo dito a nós, todas as vezes que passamos próximos de uma Igreja onde há um sacrário: “o mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). 

Maria, mulher eucarística, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) S. Paulo VI, Instr. Eucharisticum Mysterium, 15 de agosto de 1967, n. 37.


TEXTOS PARA MEDITAÇÃO

Não ser grosseiro: São Paulo, na epístola aos Efésios, diz que há várias atitudes que não convém ao cristão, entre elas está o comportamento grosseiro e violento com os demais, que não se pode justificar colocando a culpa na personalidade (temperamento) ou dizendo que “nasceu assim” e não tem como mudar. Para Deus essa justificativa não serve!

O que fazer na visita ao Santíssimo Sacramento? «E o que faremos, você pergunta, na presença de Deus no Sacramento? Ame-o, louve-o, agradeça-lhe e peça-lhe. O que um pobre faz na presença de um rico? O que uma pessoa doente faz na frente do médico? O que está fazendo um homem com sede diante de uma fonte cristalina?» (Santo Afonso Maria de Ligório, Visitas ao Santíssimo Sacramento, n. 1). 

É o mundo que agora murmura. Os judeus, nos diz o Evangelho, começam a murmurar porque Jesus disse que desceu do céu. Eles não conseguem aceitar a origem divina de Jesus. E insistem: – ele é mais um, igual a nós, conhecemos sua família, sabemos quem ele é! Esse mesmo discurso continua hoje: “- Quem Jesus pensa que é para ser o único salvador?” ” – Quem os católicos pensam que são para dizer que Jesus é Deus e que não há outro Deus além dele? ” – Onde já se viu dizer que ninguém se salva se não em Jesus Cristo, Nosso Senhor?” E, desta forma, aquela murmuração continuará ao longo dos séculos…

Como alguém pode não crer na Eucaristia? Após ouvir este evangelho, como é possível que alguém – comprometido com a verdade e que acredita nas palavras das Escrituras – seja capaz de não acreditar na Eucaristia? Que palavras mais claras poderia Nosso Senhor utilizar para nos dizer sobre o Santíssimo Sacramento?