1º Domingo do Advento

Com a Igreja, hoje iniciamos um novo ano litúrgico. É São Marcos o evangelista que nos narrará ao longo deste novo ano os mistérios da vida de Cristo. 

Advento é tempo de espera e preparação, mas não é um tempo de espera de um desconhecido. É a espera de Nosso Senhor!

A Igreja nos conduz neste período como em um retiro espiritual. Aproveitemos as meditações que nos serão apresentadas ao longo desses dias.

E por falar das suas vindas, podemos organizá-las em três:

1 – A primeira é a vinda no presépio de Belém, e nos chama a meditar, de joelhos, o mistério da encarnação: Deus que se torna o que há de mais frágil, uma criança.

2 – A segunda vinda é aquela do final dos tempos, e por isso este tempo nos convida a olhar para o final da nossa peregrinação terrena (nossa morte) e para o retorno glorioso do Senhor (a parusia). 

3 – E a terceira vinda que é aquela cotidiana. O Senhor vem a nós especialmente nos Sacramentos (particularmente na Eucaristia, sua presença real) e também nos irmãos. 

Nesse sentido, o tempo do Advento é ocasião de preparação e de vigilância, é tempo de alegria e de espera. É tempo de alimentar nossa fé, nossa esperança e nosso amor para encontrar o “amado de nossa alma”.

Nós já que sabemos quem estamos esperando: Nosso Senhor. A pergunta a ser feita é: como devemos esperá-lo? Por isso ouviremos dois conselhos, colhidos dos textos bíblicos desta Missa: (A) vigiar e (B) tomar cuidado com as distrações. 

a) Vigiando

O que significa vigiar? Nos respondeu o Papa Bento XVI: “Vigiar significa seguir o Senhor, escolher o que Cristo escolheu, amar o que ele amou, conformar a própria vida com a sua. Vigiar implica passar cada instante de nosso tempo no horizonte do seu amor, sem deixar-se abater pelas dificuldades inevitáveis e os problemas diários” (1)

Essa estar vigilante, disse o Papa, também significa um “justo desapego dos bens terrenos, um sincero arrependimento dos próprios erros, uma caridade ativa para com o próximo e, sobretudo, um abandono humilde e confiado nas mãos de Deus, nosso Pai terno e misericordioso” (2).

Estar vigilante não só com a última vinda, mas com a sua visita diária, cotidiana, do Senhor! Não se esquecer que o Senhor é sempre próximo a nós, como disse a primeira leitura.

Eis aqui alguns propósitos que podemos nos colocar para viver bem esse tempo de Advento:

1 – Ler a Bíblia ou acompanhar as leituras bíblicas da missa de cada dia do Advento;

2 – Doar roupas e objetos que não usamos e que poderiam serem úteis para os outros;

3 – Buscar fazer uma boa confissão, fazendo assim uma boa faxina interior em nosso coração para celebrar bem as festas que se aproximam. Pedir ou dar o perdão;

4 – Montar um presépio ou meditar diante de um sobre o mistério da Encarnação.

b) Não distrair

O oposto da vigilância é a distração. Esse é o perigo que nos alerta o Evangelho de hoje. Rezará o sacerdote na oração depois da comunhão: “Fazei Senhor que [Esta Missa que estamos celebrando] nos ajudem a amar desde agora o que é do céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. 

Temos o risco de, caminhando entre as coisas que passam, fixar nosso olhar nos bens passageiros e viver hipnotizados por eles achando que eles são pra sempre. Não nos deixemos iludir também pelas preocupações excessivas com as coisas desta vida, elas nos desfocam do que é essencial. 

Irmãos, o segredo para não ser pego desprevenido é esse: permanecer sempre diante do Senhor, para que no dia de sua volta não estejamos distraídos, mas em contínua comunhão com Ele. Quem em sua chega, neste Natal e em nosso natal para a eternidade (na morte), o Senhor não nos encontre dormindo mas atentos e vigilantes! 

Desejo a todos uma fecunda preparação para o Santo Natal. Que este caminho seja de autêntica santificação e de ação de graças ao Senhor que se fez carne e habitou entre nós. 

Dizia S. João Paulo II que este é um tempo mariano por excelência (3). Sem dúvida isso é verdade, pois Maria é o modelo de acolhida de Cristo. Que ela nos ajude a abrir o nosso coração ao Redentor do mundo que veio, que vem (hoje na Santíssima Eucaristia) e que virá.

Maria, mãe da esperança, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) Homilia, 30 novembro de 2008. (2) Ângelus, Bento XVI, 30 novembro 2008. (3) Cf. João Paulo II, Ângelus, 28 novembro.


TEXTOS PARA MEDITAÇÃO

BUSCAR A CONFISSÃO 

Próximo do Natal de 1980, o Papa João Paulo II esteve com mais de duas mil crianças em uma paróquia de Roma. E começou a catequese: “Como vocês se preparam para o Natal?” “Com a oração”, responderam as crianças gritando. “Muito bem, com a oração”, lhes disse o Papa, “mas também com a confissão”. “Deveis confessar para depois buscar a Comunhão. Vocês farão isso?” E as milhares de crianças, mais forte ainda, responderam: “Faremos”. “Sim, deveis fazê-lo”, lhes disse João Paulo II. E em voz mais baixa: “ O Papa também se confessará para receber dignamente o menino Deus”. (Padre Francisco Fernándes Carvajal, Homilia I Domingo de Adviento, Ciclo B – Adviento: En la espera del Señor). 

O QUE ESPERAMOS?

“A expectativa, a espera é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera está presente em mil situações, desde as mais pequenas e banais, até às mais importantes, que nos empenham total e profundamente. Entre elas, pensamos na espera de um filho da parte de dois esposos; na espera de um parente ou de um amigo que vem visitar-nos de longe; pensamos, para um jovem, na expectativa do êxito de um exame decisivo, ou de um colóquio de trabalho; nos relacionamentos afetivos, na espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou do acolhimento de um perdão… Poder-se-ia dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto no seu coração estiver viva a esperança. É das suas expectativas que o homem se reconhece: a nossa «estatura» moral e espiritual pode ser medida a partir daquilo que aguardamos, daquilo em que esperamos. Portanto, cada um de nós, especialmente neste Tempo que nos prepara para o Natal, pode perguntar-se: e eu, o que espero? Para que propende, neste momento da minha vida, o meu coração? E esta mesma interrogação pode fazer-se a nível familiar, comunitário e nacional. O que esperamos, juntos?” (Papa Bento XVI, Ângelus, 28 novembro 2010).