24º Domingo do Tempo Comum

Estamos aqui para dar a nossa resposta, como fez Pedro, à pergunta de Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. E a nossa resposta não é diferente daquela que foi dada pelo príncipe dos apóstolos. Neste domingo é a nossa vez de dizer a Nosso Senhor: – tu és o Messias, tu és Deus que se fez homem, tu és o tesouro escondido, a pérola preciosa, o amor de nossas vidas, a nossa alegria, a nossa única felicidade! 

E notem este detalhe: enquanto “caminhavam” Jesus lhes fez esta pergunta. É assim também conosco, em nossa caminhada, no dia a dia de nossos afazeres, no cotidiano de nossas vidas, que o Senhor nos encontra, nos questiona, nos ensina e nos ama

As leituras da Missa de hoje elevam os nossos olhares para a cruz para aprender desse grande mistério de amor, que deve ser o nosso consolo e a esperança nesta vida. É a partir dos textos bíblicos e da Cruz que vamos meditar estas três verdades: a é dom do alto, a cruz é passagem obrigatória, a caridade é prova de uma verdadeira fé. 

1. A fé é dom do alto

A fé é dom do alto em dois sentidos: porque Deus é quem nos contou as verdades da fé (fé na divina revelação) e também porque o próprio ato de fé tem origem em Deus mesmo (a fé enquanto virtude sobrenatural). 

A resposta de Pedro, como também a nossa, não é resultado de grandes raciocínios ou da decisão democrática da maioria, mas é uma revelação divina. Eis a origem da nossa fé católica: ela vem do alto, foi Deus mesmo que nos contou, não é a decisão nem de um, nem da maioria, mas é a verdade contada pelo próprio Senhor.

Foi Deus quem colocou também no coração de Pedro a virtude da fé para dar aquela resposta. Da mesma forma Deus faz conosco. De quantas formas, as mais diversas possíveis, Deus coloca no coração das pessoas essa resposta: algumas vezes isso acontece diante de uma experiência trágica, ou mesmo num momento de felicidade, outras ainda recebem essa graça desde pequeno.

2. A cruz é passagem obrigatória

Jesus completa a resposta de Pedro com uma clara explicação sobre a cruz. Não se pode entender a identidade de Jesus sem a cruz. Mas o que Jesus diz parece sem lógica para os apóstolos: como pode aquele que fez tantas coisas boas acabar sim? 

A reação imediata de Pedro certamente não é diferente da nossa. O sofrimento nos dá medo. E é precisamente no sofrimento de Jesus que conseguimos entender o mistério da dor: com sua cruz Ele nos mostrou a vitória do amor; no final quem vence é quem soube sofrer! 

Jesus parece não se incomodar com o que os outros pensam dele. E quantas coisas pensam sobre Jesus, também nos dias de hoje! Mas a sua preocupação é em relação aos seus discípulos, por isso, não só quer saber o que eles pensam, como também aproveita a ocasião para lhes falar sobre a sua missão e a de cada um deles. 

As palavras de correção de Jesus à Pedro são fortes. A ninguém ele chamou de “satanás”, nem mesmo os fariseus, a quem chamou de “cobras” e de “sepulcros caiados”. Essas palavras Ele só havia usado contra o próprio demônio, no final das tentações no deserto (cf. Mt 4, 10). Com isso, nós aprendemos que a maior tentação de nossas vidas é esta: fugir da cruz

Hoje está em moda um cristianismo sem cruz. Que olha para o sofrimento com uma desgraça e foge dele. Mas não pode ser assim, não podemos fugir da cruz, que cedo ou tarde se apresentará. O sofrimento, sabemos todos nós, é inevitável. A questão é: como vamos sofrer? 

Para entender isso nos ajuda a imagem do “servo sofredor”, descrito pelo profeta Isaías na primeira leitura. É o homem que confia plenamente em Deus, que coloca nele suas forças e esperanças e que permanece fiel, mesmo quando tudo parece perdido. 

3. a caridade é prova de uma verdadeira fé

Por fim, é muito importante ouvir o que nos ensinou a epístola desta Missa. São Tiago nos convida a transformar a nossa fé em gestos cotidianos de amor. A nossa caridade para com os necessitados é a manifestação viva daquilo que professamos na fé. Que honremos o Senhor não só com os lábios, mas também com atos de amor, e isso não só para com os estranhos, mas também para os que partilhamos o dia a dia. 

Maria, Virgem das Dores, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)