2º Domingo do Tempo Comum

O tempo comum não é um período litúrgico de “segunda categoria”, na verdade são dias preciosos em que nós caminhamos com Cristo, o divino mestre, e vivemos o seu dia a dia.

Ao longo desses domingos o Senhor nos ensinará, seja por suas palavras como também pelos seus gestos. É como se tivéssemos a oportunidade de andar com Jesus pelas estradas de Israel, ouvir seus ensinamentos, testemunhar as curas e sentir a ternura da sua presença

Para iniciar este tempo da vida pública de Jesus, a Igreja hoje faz-nos voltar ao chamado. Por isso meditemos duas verdades que nos ajudarão a sair desta Missa com o coração mais apaixonado por Cristo: (1) Ele nos escolheu (2) para viver perto Dele. (3) No final consideremos os avisos que São Paulo nos deu na Missa de hoje.

1. Foi Ele que nos escolheu

A primeira leitura nos recorda a vocação de Samuel. Com aquele fato aprendemos que quem nos chamou foi Deus. No Evangelho Jesus é encontrado pelos primeiros discípulos. Como fez com Samuel, Deus chama-nos pelo nome porque nos conhece; é insistente, porque não desiste de nós. Hoje também somos encontramos por Jesus.

Ao mesmo tempo que é importante lembrar a atualidade deste chamado, é bom aproveitar esta ocasião para fazer memória de nossa história com Cristo, de quando Ele nos foi apresentado pelos nossos pais, pelos nossos catequistas, pelos sacerdotes, que imitando São João, nos apontaram o Cristo.

É sempre bom voltar àquele momento em que nós, ouvindo seu chamado, decidimos segui-lo. Isso é importante para renovar a nossa decisão de ser seu discípulo

Como é significativo lembrar-se daquele momento decisivo. Disse São João: “Era por volta das quatro da tarde” (Jo 1, 39). Ninguém se lembra com tanta precisão de um acontecimento, inclusive com o detalhe do horário, se aquele momento não tivesse sido tão marcante. Quem experimenta esse amor nunca se esquece de quando começou a ser amado de verdade. 

2. Para estar com Ele 

A pergunta dos discípulos é sobre onde mora Jesus. Querem estar com Ele. Estar com Jesus Cristo, essa é a nossa vocação. Antes de qualquer outra coisa, antes de qual outra tarefa. Não fomos chamados para “fazer”, fomos chamados para “estar com Ele”. 

É desse “estar com o Mestre”, principalmente através da Eucaristia, que o discípulo encontra o sentido da sua vida e da sua missão. Por isso diz João: “Eis o cordeiro de Deus”, a ovelha sem mancha, pura e pacífica, que foi oferecida no Calvário. A vida de oração prolonga esse “estar na presença” daquele que dá sentido às nossas vidas.

Hoje, com as mesmas palavras do precursor, através da voz do sacerdote, nos será apresentado o Santo Corpo do Senhor. Que nós, através da Sagrada Comunhão, tomemos a firme decisão de estar sempre com Ele

3. Virtude da pureza 

Há uma questão que aparece na epístola de São Paulo e que não podemos fingir que não ouvimos. O apóstolo é bastante claro ao falar da dignidade do nosso corpo que é templo do Espírito Santo. Através de nosso corpo Deus também é glorificado

Os cristãos a quem Paulo escreveu, viviam num contexto profundamente corrompido, onde as imoralidades eram vistas como motivo de aplausos e os adultérios e outras tantas aberrações sexuais eram vistas como comuns. Uma sociedade muito parecida com a nossa. 

Falando de vocação cristã recordemos que todos somos chamados à castidade! Sejam os jovens solteiros, os celibatários, como também os que se uniram pelo matrimônio. A castidade é a virtude do coração indiviso, de um amor que não se deixa corromper pelas paixões desordenadas

Ordenar os afetos é um dos propósitos que os cristãos devem renovar todos os dias. Ajudados pela Eucaristia e pela confissão, verdadeiros remédios contra as nossas más inclinações, podemos nos empenhar neste bom combate.

É propício lembrar de outros remédios que são muito eficazes na luta contra a luxúria: o cuidado com aquilo que vemos, ouvimos, assistimos, acessamos; evitar os momentos de ociosidade; lembrar-se que somos amados e que só nos realizamos quando amamos Deus e os outros de verdade. Só vence os pecados contra a castidade quem for humilde.

O grande antídoto das imoralidades é o amor! Por isso, vale a pena recordar-se do que disse São Paulo na conclusão da leitura: “fomos comprados por um preço muito alto“, não nos vendamos pelas poucas moedas traiçoeiras dos prazeres passageiros.

Maria, mãe da pureza, rogai por nós! 

(Pe. Anderson Santana Cunha)