32º Domingo do Tempo Comum

Estes são os últimos domingos do ano litúrgico. E por isso a Igreja dá-nos a oportunidade de refletir sobre o que acontecerá no fim, ou melhor, no início de nossa nova vida. O tempo de pandemia coloca diante de nós uma pergunta que muitas vezes procuramos ignorar: e seu eu morrer, o que acontece? 

E a resposta é o próprio Senhor que nos dá através do ensinamento que a Igreja nos transmite. Depois da morte, antes do destino eterno, acontece o juízo de Deus e na presença Dele nos veremos como nós realmente somos, sem máscaras, sem mentiras, sem engano. A luz de Deus nos colocará diante da verdade. E a verdade mais importante é esta: Deus nos ama! 

 A nossa vida não termina em um sepulcro, dentro de um caixão, como muitos pensam e ensinam. Não! Deus nos criou para a vida, e para uma vida plena, junto Dele. Ele nos fez para participarmos da sua glória. Por isso S. Paulo, na epístola, diz com toda a razão: nós cristãos sabemos o que vem depois, por isso não devemos ficar triste como os que não tem esperança. Nós cremos que um dia “estaremos para sempre com o Senhor” (1Ts 4, 17).

Se há poucos dias, ao celebrar a festa de todos os Santos e também a comemoração dos fiéis defuntos, a Igreja nos fazia recordar dos irmãos que já partiram desta vida e já fizeram a sua páscoa, hoje o convite se dirige a nós: pensar na nossa “passagem”. Sem dúvida os textos da Bíblia que ouvimos nos fazem pensar no dia de nossa morte e nos ensina a prepararmos-nos para aquele “tremendo e glorioso dia”

Por isso, eis aqui, irmãos, alguns conselhos que Nosso Senhor nos ensina com esta parábola: [1] tomar cuidado para que não falte o azeite da fé, da caridade e da esperança, e [2] sempre colocar-se diante de si próprio através do exame de consciência para preparar-se bem para o dia do Senhor.  

1. Não deixar faltar o “azeite”

O sábio, como nos lembra a primeira leitura, é prudente. Assim deve viver um cristão, sempre pronto para o encontro com a Sabedoria, a verdadeira Sabedoria, que é Cristo, a Verdade encarnada. Sim, Ele vem sempre ao nosso encontro, e virá um dia para nos levar com Ele (Cf. Jo 14, 30). 

Mas para estar preparado para quando Ele chegar há coisas das quais não podemos nos esquecer! E que triste o destino daquelas seis jovens do Evangelho que se esqueceram do principal, deixaram as coisas mais importantes em segundo plano. Devemos hoje recordar: não há nada mais importante do que as bodas (casamento) do Cordeiro com a nossa alma, a Eucaristia!

E assim como uma lâmpada sem óleo não ilumina, assim o cristão sem a fé, a esperança e a caridade, não pode ser luz. O problema é que temos o infeliz costume deixar as coisas acabarem e só nos preocupamos quando não temos mais. Fique atento quando diminui no coração a fé, o amor e a esperança. É preciso que o Senhor nos encontre com essas virtudes acesas em nossos corações: a fé, alimentada pela oração; a esperança, alimentada pela vida coerente; a caridade, alimentada pelas obras de misericórdia. 

Disse S. Josemaria: “Há esquecimentos que não são falta de memória, mas falta de amor” (1) . Se amamos de verdade o Senhor não nos esqueceremos Dele, estaremos sempre na Sua divina presença, de modo que quando Ele chegar não seremos apanhados de surpresa. 

Que outra lição podemos tirar desta parábola? Que diante de Deus estaremos somente nós. Ninguém poderá nos dar do seu “azeite”. O Evangelho nos convida a não adiar o dia de nossa conversão. É preciso fazer o bem desde já, não atrasá-lo, para não acontecer de ser tarde demais e sermos então surpreendidos de mãos vazias. 

Quantos que pensam que na última hora ainda dará tempo de encher suas lâmpadas. Quantos que acreditam que terão tempo suficiente para só depois, mais tarde, mudarem de vida. Aqui vale a pena recordar o que diz as Escrituras: “A árvore fica onde caiu”. (Ecle 11, 3).

2. Avaliar-se sempre e converter-se

É bom aprender ou retomar o costume de fazer o exame diário de consciência. O que é e como é que se faz? Em poucas palavras trata-se de, ao menos uma vez ao dia, preferencialmente à noite, colocar-se diante do Senhor, reconhecer os seus erros e encontrar (ou pedir ajuda para encontrar) os remédios que são necessários para a nossa cura espiritual.

Em outras palavras: “Amigo, pegue em suas mãos o livro de sua vida e passe as suas páginas todos os dias, para que você não se surpreenda com sua leitura no dia do julgamento particular e não se envergonhe de sua publicação no dia do julgamento universal”. (2) 

E como o Senhor fala-nos usando como personagens as virgens, porque não lembrar da virtude da pureza? Porque não lembrar da castidade a qual os jovens e os celibatários são chamados, bem como da santidade conjugal no casamento? São João Crisóstomo comentado este evangelho lembrava: “As lâmpadas chamam aqui ao próprio carisma da virgindade, à pureza da castidade, e ao azeite, à misericórdia, à esmola, à ajuda dos necessitados”. (Homilia 78, 1-2). 

Irmãos, com faz bem pensar nisso: quanta alegria, no último dia, quando fomos recolhidos pelo Senhor, nos dará o tempo dedicado à oração, os sorrisos distribuídos com generosidade, a caridade feita no silêncio e de coração, as confissões que fizemos com verdadeiro arrependimento, a nossa missão (de pai, de mãe, de filhos, de sacerdotes) realizada com empenho e dedicação. Se formos fiéis todos os dias aos pequenos compromissos da vida cristã e do nosso estado de vida não nos dará medo estar diante do Justo Juiz

O esposo está chegando! Que interceda por nós a sua Santíssima Mãe, a Virgem Maria!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) S. Josemaria, F. Suárez, Después, p. 121 in CARVAJAL, Francisco Fernandez, Homilía XXXII Domingo del Tiempo Ordinario, ciclo A, Ediciones Palabra.

(2) S. Canals, Ascética meditada, p. 140 in CARVAJAL, Francisco Fernandez, Homilía XXXII Domingo del Tiempo Ordinario, ciclo A, Ediciones Palabra.


TEXTOS PARA MEDITAÇÃO

SÓ DUAS COISAS SERÃO PERGUNTADAS

Disse o Cardeal Newman: “Quando estivermos na presença de Deus, duas coisas nos serão perguntadas: se estivéssemos na Igreja e se trabalhássemos na Igreja. Tudo o mais não tem valor. Se fomos ricos ou pobres, se fomos iluminados ou não, se fomos felizes ou infelizes, se estivemos doentes ou saudáveis, se tivemos um nome bom ou ruim” (Card. J. H. Newman, Sermón para el Domingo de Septuagésima: el juicio in CARVAJAL, Francisco Fernandez, Homilia XXXII Domingo del Tiempo Ordinario, ciclo A, ediciones Palabra).

CUIDADO COM A TIBIEZA

“Onde estão, pois, agora esses que passam a vida inteira na tibieza e, quando nós os repreendemos, nos dizem: ‘na hora da minha morte deixarei para os pobres’? Escutem essas palavras do Senhor e corrijam-se. Na verdade, muitos se viram ridicularizados naquele momento (da morte), foram arrebatados repentinamente, sem dar-se tempo a olhar pelos menos quem gostariam” (São João Crisóstomo, Homilia 78, 1-2). 

DETALHES DO EVANGELHO

O que significa o sono? S. Tomás de Aquino, por exemplo, interpreta este “sono” das virgens como sendo a nossa morte. Na parábola o noivo chega a meia noite, ou seja, quando menos se espera. E qual é esse momento? É o desconhecido momento do fim desta vida. Lembra-nos a incerteza da hora da morte. É interessante notar que o problema não foi elas estarem dormindo, o problema foi o não estarem preparadas. (Cf. Super Evangelium S. Matthaei lectura, cap. 25, lectio 1)

Por que são dez? Esse número significa a totalidade. Portanto esse quantidade nos faz lembrar que todos, a humanidade inteira, comparecerá diante do Senhor. Ninguém será esquecido, nem mesmo aqueles que passaram a vida pensando que esse momento não aconteceria. 

Quem são as virgens prudentes? Outro detalhe é que essas seis virgens prudentes, meditava S. Tomás, representam a única esposa de Cristo: a Igreja. Portanto, eis a primeira condição para estar preparado para quando o Senhor voltar: ser membro do Corpo de Cristo, da Esposa do Cordeiro. (Cf. Super Evangelium S. Matthaei lectura, cap. 25, lectio 1)