5º Domingo do Tempo Comum

Toda a missão de Jesus nos é apresentada, de forma resumida, no Evangelho da Missa de hoje. Trata-se de uma síntese do que fez o Cristo: Ele desceu dos céus e entrou em nossa casa, a humanidade, ferida pelo pecado, por isso com febre. Como disse Bento XVI, a “febre de ideologias, idolatrias, o esquecimento de Deus” (1). E como fez com a sogra de Pedro, o Senhor nos toma pela mão, nos cura, nos coloca em pé para servi-lo.

Pelo Evangelho também sabemos que a vida de Jesus está concentrada em rezar, pregar e curar. É a missão de todo batizado, mas é a tarefa particularmente confiada aos sacerdotes (bispos e padres): a missão de santificar, ensinar e pastorear

Três atitudes podem nos ajudar a compreender a dinâmica da vida cristã: o Senhor nos cura (Curar), para que unidos a Ele pela oração (Rezar) possamos anunciar ao mundo a verdadeira cura que nos liberta de todo mal (Pregar). 

1. Curar

Há uma importante conexão entre a primeira leitura e o Evangelho: o drama do sofrimento do enfermo. Com Cristo aprendemos a ver de maneira diferente o sofrimento e a dor:

Ele nos faz perceber que a grande enfermidade é o pecado, e que somos curados desta doença pelo remédio da conversão (o arrependimento e a confissão). Além disso, nos ajuda o testemunho de tantos santos que fizeram de seus padecimentos uma escola de santidade

Ele nos cura especialmente pelos sacramentos. Particularmente pela Eucaristia, pois todo o domingo o Senhor nos coloca em pé, nos cura, com a sua Palavra e com seu Santíssimo Corpo, feitos nossos alimentos. 

2. Rezar

Um outro detalhe, do fato narrado pelo evangelista, é que naquele dia Jesus dorme na casa de Simão e no outro dia, ainda de madrugada, Jesus se levanta para rezar. Toda a sua vida é centrada neste encontro com o Pai. Assim também deve ser a nossa vida. Ele rezou para nos dar o exemplo.

As primícias de nossa vida devem ser de Deus. Por isso, o tempo da oração não pode ser o tempo que sobra, mas o período que desde o início foi reservado para Ele. Lembremos: todo o apostolado começa com a oração. 

3. Anunciar

Jesus também nos disse porque Ele veio: para anunciar a boa notícia. Essa é a missão de Cristo e ao mesmo tempo a missão da Igreja. Não se trata de uma coisa opcional ou facultativa, mas de um dever.

É isso que nos lembra São Paulo: “Pregar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade para mim, uma imposição. Ai de mim se eu não pregar o evangelho!” (1Cor 9, 16). Anunciar uma pessoa e seu ensinamento (sua doutrina) sempre e em toda parte.

Sobre isso, nos ensina São Paulo IV: Anunciar a fé não é uma atitude que nos ensoberbece, “como possuidores afortunados e exclusivos da verdade, senão que nos faz fortes e valentes para defendê-la, amorosos para difundi-la. Nos recorda Santo Agostinho: ‘sem soberba, seja orgulhoso da verdade‘.”(2)

Ter conhecido o Evangelho é uma grande alegria e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. Por isso, devemos nos empenhar, num grande esforço apostólico, para que todas as pessoas conheçam a Verdade, que é uma pessoa: Jesus. Pregamos Cristo e Cristo crucificado, loucura pra uns, escândalo para outros (3). 

Para concluir, chamo atenção para dois detalhes:

  • A mulher curada no Evangelho, logo que tem a saúde recuperada, coloca-se a serviço. Como não lembrar-se de tantas mulheres que ao longo da história do cristianismo também se colocaram a serviço de Jesus. Hoje, em nossas paróquias, como é importante, como é singular, a missão confiada às mulheres
  • Neste domingo é oportuna a nossa oração pelos doentes, já próximos do dia de Nossa Senhora de Lourdes. Ao apresentarmos à Jesus nossos familiares e amigos que estão sofrendo, façamos aquela oração que os amigos lhe fizeram ao apresentar a Ele o irmão doente: “Senhor, aquele a quem amas está enfermo” (Jo 11, 3). 

Que a Virgem, estrela da evangelização e mãe dos doentes, rogue por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) Papa Bento XVI, Homilia, 05 de fevereiro de 2006. (2) São Paulo VI, Audiência Geral, 04 de agosto de 1965. (3) cf. 1Cor 1, 23-24.

TEXTO PARA MEDITAÇÃO

«Não há nada mais frio do que um cristão que não se preocupa com a salvação dos outros (…). Não diga: eu não posso ajudá-los, porque se você é um verdadeiro cristão, é impossível que você não possa fazer isso. As propriedades das coisas naturais não podem ser negadas: o mesmo acontece com o que afirmamos, porque é da natureza do cristão agir assim (…). É mais fácil para o sol não parecer ou não estar quente do que para um cristão parar de iluminar; mais fácil do que isso seria para a luz ser trevas. Não diga que é uma coisa impossível; o impossível é o contrário (…). Se ordenarmos bem nosso comportamento, todo o resto será uma consequência natural. A luz dos cristãos não pode ser escondida, uma lâmpada que brilha tanto não pode ser escondida» (São João Crisóstomo, Homilias sobre os Atos dos Apóstolos, 20).