A força que vem do alto

O povo hebreu esperava a vinda de um Messias que lhes comunicaria o Espírito do Senhor. Esse tema aparece várias vezes no Antigo Testamento. Na plenitude dos tempos Jesus Cristo não só se encarna pela força do Espírito Santo, mas tem toda a sua vida marcada pela força do Santo Espírito. E além disso, no dia de Pentecostes, envia o Paráclito sobre a Igreja nascente, representados pela Virgem Maria unida aos primeiros bispos, os apóstolos. 

É esse mesmo Espírito Santo, pessoa divina da Santíssima Trindade, “Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho e que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”, que a Igreja continua a comunicar aos seus filhos através dos Sacramentos. Todos os Sacramentos acontecem pela força do Espírito Santo. Mas é particularmente o Sacramento da Crisma, também chamado de Confirmação, que sinaliza o especial envio do Espírito Santo sobre os fiéis batizados. 

A palavra “crisma”, que é de origem grega, significa literal “unção”. Essa palavra – usada tambem para se referir a Jesus, o Cristo (em hebraico: Messias) – dá nome a este Sacramento porque seu rito é essencialmente realizado pela unção feita na fronte daquele que é crismado, ou seja, ungido.

É certo que todo o batizado já é ungido pelo Espírito Santo, tanto que no próprio dia de seu batizado foi ungido com o óleo do Santo Crisma. Neste outro Sacramento temos como que uma certa ratificação. Por isso o outro nome com que chamamos esse sacramento, “Confirmação”, dá a entender este significado: acontece a confirmação da graça que já foi recebida na pia batismal. 

O óleo chamado de “Santa Crisma” é consagrado na celebração que leva o seu nome: a Missa Crismal. Ela acontece uma vez ao ano, na Semana Santa, e é presidida pelo bispo reunido com o seu presbitério. Durante o rito de consagração, este óleo de azeite é misturado com um perfume, um bálsamo, e também recebe o sopro do bispo, que recorda o gesto de Jesus Cristo ressuscitado que soprou sobre os apóstolos comunicando-lhes o Espírito Santo.

O rito do Sacramento da Crisma, em síntese, é composto pela unção e pela imposição das mãos ao mesmo tempo que diz as palavras próprias do rito, a essas palavras damos o nome de fórmula e que junto com a materia ( o óleo consagrado pelo bispo) constituem a sua essência sacramental.

Assim como o Batismo, este sacramento é recebido apenas uma vez na vida. E faz bem recordar: para ser crismado é preciso ter sido batizado. O ministro ordinário, ou seja, aquele que geralmente confere esse Sacramento, é o bispo. Isso mostra um atributo importante deste Sacramento: a ligação do fiel com os sucessores dos apóstolos. Em casos especiais pode o bispo delegar um sacerdote para que o administre, o que não faz perder esse sentido pois o óleo foi consagrado pelo bispo e o sacerdote será enviado por um legítimo apóstolo. 

Mas o que de fato acontece quando se recebe a Crisma? Acontece uma efusão especial do Espírito Santo, semelhante àquela que aconteceu no dia de Pentecostes. Assim como Batismo, a Crisma imprime caráter, ou seja, uma marca impagável, um sinal permanente. E isso é para fazer crescer no fiel a graça do seu Batismo.

Fortalecer o vínculo filial com Deus; estreitar o vínculo com Cristo e sua Esposa – a Igreja; revigorar o vínculo do fiel com o Espírito Santo e seus os dons. Tudo isso com um claro objetivo: fortalecer o cristão para ser mártir de Cristo, no sentido original dessa palavra: “ser testemunha”. Para ser mártir é preciso desta ajuda, da força que vem do alto.