A idade das luzes

Um dos jargões mais infelizes dos meios acadêmicos, desde uma escola de ensino fundamental até os mais elevados graus de uma universidade, é este: “A idade média é a idade das trevas”. Sem dúvida é uma das frases mais absurdas e infundadas que se pode ouvir. E porque se ataca tanto a idade média? Simples: é uma maneira indireta de denegrir a Igreja Católica, que é a grande mentora daquele período. 

Mas o que aconteceu de verdade neste período de quase mil anos (do ano 500 a 1500 d.C., aproximadamente) que moldou a civilização ocidental? Teríamos muito a dizer. Apresentarei aqui o essencial. Sabemos que logo após a queda do Império Romano o ocidente se viu ameaçado pelas invasões dos povos bárbaros. A única instituição que permaneceu em pé foi a Igreja e foi ela que salvou o mundo de uma verdadeira barbárie.

O assassinato de crianças deficientes, a condenação da morte dos idosos considerados inválidos e as perversidades morais e sexuais, próprias do paganismo – e também de nosso tempo neo pagão – são alguns dos muitos costumes que aos poucos foram eliminados da sociedade antiga com o avanço do cristianismo. 

Foi a Igreja Católica que fez desaparecer os espetáculos de carnificina que ocorriam nos circos romanos com o seu claro discurso em defesa da sacralidade da vida humana. Também foi nesse período que pela primeira vez as mulheres foram de verdadeiramente valorizadas, pois as comunidades religiosas femininas além de autonomia tinham sempre à sua frente uma superiora mulher, o que antes era uma coisa impensável. 

Foram também os católicos que na idade média preservaram e nos transmitiram as obras clássicas da antiguidade, principalmente as grega e romana, que certamente teriam sido destruídas pelos invasores que não tinham nenhuma noção da importância daqueles pergaminhos. Se temos hoje estes textos devemos isto aos monges copistas que passavam a vida fazendo cópias daquelas relíquias.

Os mosteiros medievais, além disso, eram também grandes centros de divulgação e produção do conhecimento. Ali, nas escolas monásticas e catedrais, nasceram as universidades, filhas da Igreja Católica. As universidades de Oxford, Cambridge, Coimbra, Sorbonne, Salamanca foram criadas na pseudo “idade das trevas”. E sabe quem foi que as fundaram? A Igreja Católica!

A lista de assuntos que se poderia acrescentar aqui é imensa, poderíamos citar ainda a música, pois foi um monge que deu nome às notas musicais e, diga-se de passagem, é desse período as mais belas composições musicais da humanidade. Poderíamos falar também sobre as artes e as catedrais medievais, que são as mais belas obras que já se conheceu. Uma pena que hoje, infelizmente, nossas igrejas correm o risco de virarem cinzas pela perseguição aos cristãos.  

Por fim, é certo que essa grande doutrinação anti-católica, que envenena nossos estudantes, é sinal de que o ateísmo destruidor avança a passos largos nos espaços acadêmicos, inclusive católicos. Além de anacronismo, ou seja, julgar o ontem com critérios de hoje, promove-se uma propaganda mentirosa e difamatória à Igreja e àquele período histórico por razões ideológicas. Longe de ser um período de escuridão e de trevas, a idade média são séculos de luzes, cujos raios nos iluminam até hoje.