A porta do Céu

Chamado de “a porta dos sacramentos”, o Batismo é também, sem dúvidas, a abertura pela qual temos acesso ao Céu. É por isso que este sacramento surge com mistério pascal da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Como diziam os Padres da Igreja, “do lado aberto de Cristo na Cruz”. Mas podemos ir além, no próprio mistério da encarnação já vemos uma indicação sobre o que acontece no batismo: Deus se faz homem para que os homens terem acesso à Deus.

Isso é verdade pois só quando Nosso Senhor morreu e venceu a morte foi que as portas da vida celeste – que para nós estava fechada por conta do pecado original – foram escancarada aos homens e às mulheres de todos os tempos. E para que a obra salvífica de sua redenção chegasse até nos Ele mesmo instituiu um meio: mandou que os apóstolos batizassem.

O que acontece quando uma criança ou o adulto é batizado? Eis os efeitos principais deste sacramento: os pecados são perdoados e a pessoa torna-se filho de Deus; e por ser filho, é também herdeiro, e a herança é a vida eterna. E para conservar essa vida nova o batizado passa a fazer parte de uma comunidade onde será nutrido e instruído para crescer na amizade com Deus. Essa comunidade é a Igreja.

Sublinhando o que foi dito acima, o Batismo possui dois aspectos fundamentais: ao mesmo tempo em que passa a ser livre do pecado original (e se já for adultos, do pecados pessoais arrependidos), o homem e a mulher levados às águas batismais vivem um novo nascimento. Eis o acontece: a pessoa morre e nasce; morre o homem velho, nasce uma nova criatura.

Há aqui uma coisa digna de uma consideração particular e que merece nossa atenção. Através do batismo o ser humano passar a participar da vida divina. E isso é extraordinário! Pois sendo adotado por Deus como filho, o homem participa da vida de seu Pai. E isso só é possível porque no batismo o homem de certa forma se “cristifica”, ou seja, torna-se outro Cristo. E sendo assim passa a ser filho no Filho.  

Essa vida divina que começa no batismo é chamada também de graça santificante. Nada mais é do que o cultivo e do crescimento da amizade entre Deus e nós. É através dela que é possível pensar a inabitação trinitária, ou seja, que Deus morar dentro de nós. Não se pode confundir essa doutrina católica com as correntes filosóficas orientais de sabor panteísta. Trata-se de um verdadeiro relacionamento com Deus no íntimo de nossa alma. 

Além disso, no batismo somos marcados com um sinal indestrutível de nossa pertença à Cristo. Uma marca que nunca poderá ser tirada. É um selo para a vida eterna. A Igreja, por isso, diz que o batismo “imprime caráter”. Usando uma comparação que não é das melhores seria como que uma espécie de “tatuagem”, com a diferença que a marca do batismo não pode ser removida jamais. 

Sim, o Batismo é a porta dos sacramentos e o início da vida divina. Tanto é verdade que uma das pré-figurações da água derramada em nossa cabeça na pia batismal é aquela encontrada no Êxodo, na travessia do Mar Vermelho. Se por um lado aquelas águas afogaram os seus inimigos, elas também assinalaram a garantia da promessa da terra prometida. A terra da Promessa é também uma imagem, representa o Paraíso.