Assunção da Virgem Maria

Esta é uma das festas marianas mais antigas da Igreja. E o que se celebra no dia de hoje? Uma boa resposta está na antífona das Laudes: “Adoremos o Cristo e louvemos sua Mãe elevada, hoje, aos céus”. Portanto, hoje é dia de alegria: porque Cristo venceu! O amor venceu! A vida venceu! Temos uma mãe no Céu! “No céu temos uma mãe. O Céu está aberto; o céu tem um coração.” (1)  

Disse S. João Paulo II numa missa como a de hoje: “Maria é assunta ao céu, alegrem-se os anjos! E alegre-se a Igreja! Para nós, a solenidade de hoje é como uma continuação da Páscoa, da Ressurreição e da Ascensão do Senhor. E é, ao mesmo tempo, o sinal e a fonte de esperança da vida eterna e da futura ressurreição.” (2)

E aproveitando a alegria desta festa é oportuno falar sobre esta verdade, sobre esta lembrança e sobre esta esperança. 1) A verdade é que Maria ressuscitou. 2) A lembrança é que a nossa Pátria é o céu. 3) A esperança é que um dia nosso corpo também será glorioso.

1. Uma verdade: Maria subiu ao céu de corpo e alma!

O que celebramos hoje é um fato único na história! Além do corpo de Cristo só há mais um corpo glorioso no céu: o da Virgem Maria. E isto é uma verdade de fé, um dogma, ou seja, algo do qual não temos dúvidas e quem não acredita nesta verdade não é católico!

E a verdade é esta: no dia de hoje a mãe de Cristo entrou nos céus! Como declarou o Papa Pio XII na proclamação do Dogma: “Terminado o curso de sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória celeste.” (3)  

Os nossos irmãos cristãos no oriente chamam este mistério da vida de Maria de “dormição”. De fato, para Nossa Senhora a morte não foi como é para todo ser humano. Para ela foi uma passagem, um sono, um despertar para a vida eterna. E seu corpo, que não conheceu o pecado, também não conheceu a decomposição e foi preservado de toda e qualquer corrupção. 

2. Uma lembrança: nossa verdadeira morada é o Paraíso!

Contemplar Maria elevada aos céus nos enche de esperança e de grande desejo de chegar à meta. E qual é nossa meta? É o Céu! “[Esta solenidade] é a ocasião para acender com Maria às alturas do espírito, donde se respira o ar puro da vida sobrenatural e se contempla a beleza mais autêntica, a da santidade“. (4)

Hoje a Igreja ergue a nossa cabeça e nos faz olhar para o céu. Não apenas o céu das estrelas e das constelações, mas o Céu que é sinal da morada de Deus, aliás, que é Ele mesmo. Como disse o Papa Bento XVI: “Deus é o céu”. (5)

Engana-se quem pensa que aquele que vive na esperança da eternidade é um alienado, alienado é aquele que acha que sua vida é só esse trecho da caminhada e se esquece da vida que vem depois desta. 

É claro que esta esperança da vida eterna não é uma desculpa para que os cristãos se descuidem desta vida. Não é isso, muito pelo contrário! Focar-se no Céu faz com que nós tornemos presente na terra as coisas do alto. É o Reino que já chegou, que está crescendo e que um dia será pleno, como já é para a Virgem Maria.

3. Uma esperança: nosso corpo terá lugar no Céu!

Maria é sinal da nova humanidade, por isso é a primeira que segue Cristo, a “primícia dos que morreram” (1Cor 15, 20), com lembra o Apóstolo. Portanto a entrada de Maria nos céus é também imagem da Igreja, Corpo de Cristo, que está à caminho da pátria definitiva. Ela “precede com sua luz o povo peregrino como sinal de esperança certa até que chegue o dia do Senhor.” (6)

Afinal, Deus nos criou para que após esta vida mortal estejamos para sempre com Ele em sua glória. Por isso a festa de hoje também é uma recordação de que nosso corpo ressuscitará! Que tem lugar para o corpo humano no Céu!

Depois desta “noite”, ou como dizemos na salve Rainha, deste “vale de lágrimas”, virá a manhã de um dia sem ocaso! E por isso não podemos ter medo da morte, porque para nós “a vida não é tirada, mas transformada”. (7)

Conclusão

Como poderia Cristo separar da Sua glória e da Sua ressurreição aquela que cujo coração também foi transpassado por uma espada de dor na Cruz?  “Cor Mariae Dulcissimum, iter para tutum, Coração Dulcíssimo de Maria, dá força e segurança ao nosso caminho na terra: sê tu mesma o nosso caminho, porque tu conheces as vias e os atalhos certos que, por meio do teu amor, levam ao amor de Jesus Cristo”. (8)

Para ir para o Céu devemos aprender a andar por onde andou Maria. E como Ela viveu? O Magnificat ajuda a encontrar respostas: (a) viveu uma fé obediente que fazia, como ouvimos no Evangelho, com que Deus fosse grande em sua vida, com que Deus ocupasse toda a sua vida! Maria não teve medo de ser toda de Deus; (b) viveu a Palavra de Deus, a ponto que no seu cântico encontramos vários trechos do Antigo Testamento, próprio de quem ama as Sagradas Escrituras. 

“Subiu ao céu nossa advogada, para que, como a Mãe do Juiz e a Mãe de Misericórdia, trate de nossa salvação”. (9)

Vejamos o final feliz da vida terrestre de Maria e isso nos dará força para ser fiel cada dia! Contemplando Aquela que já está na glória de Cristo nos encheremos de esperança e de vontade de sermos santos!

Esta festa nos enche de desejo de caminhar nos caminhos da santidade. Deve nos encher de bons propósitos para uma vida nova. E assim encontraremos força para dizer “sim” a Deus todos os dias e rejeitar os dragões que avança com fúria contra à Igreja. Olhai Maria e encontrará o caminho seguro para os braços do Senhor!

Hoje é dia de retomarmos ou de nos reanimarmos nas práticas de devoção mariana. A oração do Santo Terço, do Ângelus, e outras orações à Virgem Maria nos fará muito bem para crescer na fé. 

Na ladainha Maria é invocada como “Porta do Céu”, não só porque ela nos aguarda lá, mas porque nos ajuda a caminhar na estrada que nos leva para o Céu. Que Maria, hoje elevada aos céus, nos ajude a viver esta vida como caminhada para Deus!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) Bento XVI, Homilia, 15 de agosto de 2005. (2) S. João Paulo II, Homilia, 15 de agosto de 1980. (3) Pio XII, Const. Munificentissimus Deus, 1 de outubro de 1950. (4) Bento XVI, Homilia, 15 de agosto de 2008. (5) Idem. (6) Lumen Gentium, n. 68. (7) Prefácio dos Fiéis Defuntos I – A esperança da ressurreição em Cristo. (8) S. Josemaria Escrivá, É Cristo que passa, n. 178. (9) S. Bernardo, Homilia na Assunção da Virgem Maria, 1, in CARVAJAL, Padre Francisco Fernández, Solemnidad de la Asunción de la Virgen María.


TEXTO PARA A MEDITAÇÃO

“Convinha que Aquela que no parto teve conservada integra a sua virgindade, tivesse seu corpo conservado sem corrupção após a morte. Convinha que Aquela que levou em seu ventre o Criador feito menino, habitasse na morada divina. Convinha que Aquela que vira o seu Filho na Cruz, recebendo assim no coração a dor de que havia estado livre no parto, o contemplasse sentado à direita do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que corresponde a seu Filho, e que fosse honrada como Mãe e Escrava de Deus por todas as criaturas.” (S. João Damasceno, Homilia II na Dormição da Bem Aventurada Virgem Maria, n. 14).