Batismo do Senhor

Esta Santa Missa encerra o tempo do Natal. Por isso hoje a Igreja celebra o início do ministério público de Jesus. O Batismo do Senhor também é uma festa de epifania, porque hoje se revela quem é Jesus (Filho de Deus) e o que Ele veio fazer entre nós (Nos salvar). 

Ele, que de modo algum precisava ser batizado, não só nos deu o exemplo, como também, ao tocar águas, santificou-as para que naquela mesma água pudéssemos ser batizados. Jesus tocou e toca não só as do Jordão, mas as águas de todas as pias batismais da Igreja. 

Para esta meditação escolhemos três características que passamos a ter após o nosso batizado: (a) filhos de Deus; (b) membro da Igreja e (c) herdeiro do Céu.

a) Filhos de Deus 

O que disse o Pai no batismo de Jesus, continua a ser repetido em cada batizado: “Tu és o meu filho” (Mc 1, 11). Pelo batismo nos tornamos filhos de Deus, pois naquele dia fomos enxertados “na vida mesma de Deus, convertendo-nos em seus filhos adotivos, em seu unigênito ‘Filho predileto’” (1) 

Mas atenção: só somos filhos por causa do único Filho! É porque o batismo nos uniu de uma maneira profunda e permanente a Jesus, que quando o Pai nos olha nos vê imersos no seu próprio Filho. O batismo nos “cristifica”. O batismo nos torna templos do Espírito Santo, nos coloca na família de Deus! A pia batismal é como o útero de uma mãe, que gera filhos. 

E como isso é possível? Por que Jesus se abaixou e encontrou-nos nos profundos abismos do pecado. É isso que Ele faz hoje no evangelho:  Ele entra na fila dos pecadores para ser batizado por João e não só se abaixa para ser batizado, mas é mergulhado numa das regiões mais profundas da terra, bem abaixo do nível do mar, que é o vale do Jordão.

Isso tudo não é por acaso. Esse é um importante ensinamento: Ele se coloca em nosso lugar, nós, pecadores. Ele se abaixou (humilhou), em Belém, no Jordão, e mais ainda no Calvário. Se abaixou para nos buscar, para nos levar para cima, com Ele. Isso que contemplamos neste tempo de Natal: Deus se fez homem para que o homem pudesse ir até Deus.

b) Membros da Igreja

Não é possível viver como filho de Deus se não for na comunidade dos discípulos de Jesus. Senão nos perdemos e voltamos para “a fossa” de onde o Senhor nos tirou. Aqui nos recordarmos as emocionantes palavras do Papa Bento XVI: 

“(…) no batismo, cada criança é enxertada em uma companhia de amigos que não o abandonará nunca, nem na vida nem na morte, porque esta companhia de amigos é a família de Deus, que leva em si a promessa de eternidade”. 

Bento XVI, Homilia, 8 de janeiro de 2006

Que grande alegria, irmãos, é sermos membros desta família, a Igreja. Para ser impulsionados na caminhada rumo à vida eterna, para nos amparar quando os sofrimentos e as dificuldades aparecem, para nos acolher quando pecamos, para enxugar as nossas lágrimas em nossos fracassos. Quem foi batizado nunca estará sozinho!

c) Herdeiros do Céu

Há um detalhe do evangelho que não é um “simples efeito especial”, mas é a revelação de uma verdade: quando o Senhor é batizado, os céus se abrem. Esse fato é a ilustração de um acontecimento real: quando somos batizados os céus também se abrem para nós! Em nosso batizado nos é dada uma graça que nunca poderíamos imaginar em alcançar sozinho, sendo filhos de Deus, passamos a ser herdeiros do Céu.

Por isso que no ritual do batismo o padre pergunta por que os pais e os padrinhos querem batizar a criança, e eles como que respondem: porque o batismo lhe dará a vida eterna! Sim, foi por isso que fomos batizados, foi por isso que Jesus mandou ensinar e batizar a todos os povos, para que todos tenham a vida eterna, para que todos sejam salvos

O batismo é uma graça, é um dom, não é um prêmio ou uma conquista, ou um ato de maturidade. Por isso batizamos as crianças, porque é um presente, que vem Deus, e que nos mergulha na sua graça. Como poderíamos deixar os nossos filhos fora dessa alegria, que é ser cristão, desde os seus primeiros anos de vida?

Lembremos hoje da beleza de nosso batismo, que logo renovaremos, para continuar vivendo com perseverança (como pediu a oração do dia), o que nossos pais e padrinhos professaram por nós e que agora livremente confirmamos.

Maria, mãe dos batizados, ajude-nos a permanecer fiéis às promessas do nosso batismo!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) João Paulo II, Homilia, 9 de janeiro de 2020. 


APÊNDICE

Outros temas que são oportunos:

1. Recordar-se do nosso batizado: Que dia fomos batizados? Quem são nossos padrinhos? Quem nos batizou? E os nossos afilhados, como estão? Perseveram na fé? São boas perguntas que podemos fazer neste dia! 

2. Agradecer a Deus por nossos pais nos terem levados à Igreja para sermos batizados: Que grande dia aquele em que nossos pais nos levaram à pia do Batismo, e lá nos tornarmos filhos de Deus, membros da Igreja e herdeiros do Céu. Quanta gratidão devemos para com nossos pais e padrinhos que nos conduziram à maior alegria de nossas vidas: ter sido batizados! Nossos pais não teriam nada melhor ou maior do que nos ter dado conhecer do que a fé católica! 

3. A renovação das promessas batismais: Não basta ser batizado, é preciso que o dom que recebemos no batismo frutifique em nossas vidas. Por isso hoje dizemos mais uma vez “não” e “sim”, na renovação das promessas batismais. Dizemos “não” ao diabo e renunciamos ao mal: renunciamos à vida pagã, às libertinagens, à cultura da morte. E dizemos “sim” à vida, aos mandamentos – dizemos sim à Deus, à família, à vida, ao amor, à solidariedade, à justiça, à verdade e aos irmãos. (Cf. Bento XVI, Homilia, 8 de janeiro de 2006). 

4. A missão dos pais: Os pais são os primeiros educadores na fé. Nunca desistam, pais, da conversão de vossos filhos, nunca deixem de convidá-los para a Missa, de ensiná-los as virtudes. Nunca se cansem disso, é a vossa principal missão.

5. A missão dos padrinhos e das marinhas: É de serem testemunhas de fidelidade a Cristo. Para que através de palavras e exemplos possam ensinar aos afilhados, colaborando com os pais, a sólida fé católica e a importância da vida de oração.