Solenidade da Epifania do Senhor

A nossa alegria, assim como a dos magos, é ter encontrado Cristo. Não há outra verdadeira alegria nesta vida. E todo mundo precisa conhecer essa verdade! 

Esse é o sentido desta festa, a festa da manifestação do Senhor a todas às nações, que o nosso povo preservou na piedade popular através devoção aos Santos Reis

Por isso convido-vos a observar alguns detalhes dos textos bíblicos que nos foram proclamados hoje, para colher deles importantes orientações para a nossa vida:

  1. Brilhou uma luz

O que o profeta anuncia na primeira leitura aconteceu no Natal e acontece neste dia. Nós somos o povo que andava nas trevas e que viu uma grande luz! 

A mesma luz que brilhou para os magos continua a nos iluminar: Jesus Cristo, a verdadeira luz dos povos. Disse São João: “Deus é luz, nele não há trevas” (1Jo 1, 5).

Com este fato acontece uma revolução entre os pagãos: eles percebem que os astros não são divindades. Mas, como bem observaram aqueles astrônomos da antiguidade, as forças cósmicas apontam ao Deus único, Senhor do Universo, criador de todas as coisas. 

  1. Para todos os povos

A festa da epifania recorda-nos que Cristo é a luz de todos os povos. Não podemos privar ninguém desta luz. Todo o mundo deve e tem o direito de conhecer Nosso Senhor!

A palavra “epifania” significa “manifestação”. Enquanto na noite de Natal Jesus era manifestado ao pequeno resto de Israel, representados na Virgem, em José e nos pastores, hoje Ele é apresentado a todos os povos. Jesus veio para todos, não há quem esteja fora do seu plano de salvação! 

Esta festa também nos lembra que nós somos uma “epifania” de Jesus ao mundo. A missão da Igreja e dos batizados é ser “epifania” de Cristo e anunciá-lo a todos os povos. “A Igreja é a humanidade iluminada, ‘batizada’ na glória de Deus, quer dizer, em seu amor, em sua beleza, em seu senhorio” (1).  

  1. Conselho: Não voltar pelo mesmo caminho. 

Quem esteve diante deste Menino, não pode continuar a mesma vida. Isto nós é representado pela decisão dos magos de voltarem por outro caminho. No início deste ano convém estabelecer em nossa vida princípios que mudem os caminhos errados que estávamos tomando. 

Assim como estabelecemos tantos planos e metas, seja para os estudos, quanto para uma vida saudável, é ocasião também de traçar um plano de vida espiritual: de estabelecer o tempo da oração, da leitura da Bíblia, do estudo do Catecismo, priorizando sempre a participação na Eucaristia. 

Deixemos que o Senhor ilumine as nossas mentes, abra os nossos corações. Que neste ano nos deixemos ser mais guiados pela estrela da fé, assim como os magos. Estudemos a doutrina católica para ser conduzidos por esta estrela para encontrar-se com o Senhor, assim nos converteremos. 

Eucaristia: Viemos adorá-lo! 

Na Celebração da Eucaristia, lembrava o Papa Bento XVI, nós também testemunhamos uma “epifania” do Senhor, no qual Ele “revela e ao mesmo tempo oculta a sua glória” (2).

Hoje, nós com os magos, também proclamamos: “Viemos adorá-lo” (Mt 2, 2). Por isso nos ajoelhamos quando entramos na Igreja, por isso que fazemos o sinal da cruz quando passamos na frente deste templo santo, porque aqui habita o Senhor, e nós o adoramos! 

Quando na hora da consagração nos colocamos de joelhos, imitamos os reis magos. Mas hoje a nós é dada uma graça ainda maior que aquela que foi concedida àqueles santos homens: após adorá-lo, vamos comungá-lo, para viver em comunhão com Ele, para sempre. 

Hoje a Igreja também faz o anúncio da Páscoa, aponta para o mistério pascal que é a meta final de toda a história. Deus é o ponto de chegada de todas as vidas, para Ele todos nós caminhamos! 

Maria, estrela da evangelização, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) Bento XVI, Homilia, 6 de janeiro de 2009. (2) Homilia, 6 de janeiro de 2009. 


TEXTOS PARA MEDITAÇÃO

Os presentes que os magos ofertam possuem significados muito particulares:

O ouro é sinal da realeza. Queremos que Ele reine em nossos corações, em nossa vida, em nossa sociedade. Também indica as nossas doações materiais com as quais sustentamos o culto divino e a evangelização, como também as obras de caridade.

O incenso representa o nosso desejo de subir até Deus, de unir-nos a Ele, por isso somos convidados a viver espalhando o bom odor de Cristo através das virtudes e das palavras. Assim como se espalha a fumaça do incenso, o cristão quer espalhar por toda a terra a boa notícia do Evangelho. 

A mirra é símbolo das nossas enfermidades. Lembra-nos a paixão de Cristo na qual a mirra lhe será colocada na boca, em uma esponja. E ao mesmo tempo é uma indicação para os cristãos da importância das mortificações cotidianas, como meio de santificação: sorrir a quem nos incomoda, acostumar-se a escutar os outros, deixar algumas comodidades de vez em quando, não comer carne às sextas-feiras, essas são algumas das muitas mortificações que a Igreja, ao longo dos séculos, ensinou aos cristãos e que foi escola de grandes santos!