Solenidade de São Pedro e São Paulo

Numa única solenidade a Igreja celebra as suas duas colunas fundamentais. A primeira coluna é um pescador galileia, encarregado de presidir o colégio dos apóstolos  e confirmar os irmãos da fé. A segunda coluna é um homem culto e de boa formação, que antes era um inimigo da fé e converteu-se num dos maiores missionários que a história conheceu. 

São colocados diante de nós dois exemplos de homens apaixonados por Jesus e que foram até os “confins do mundo” para anunciar seu amor: Pedro e Paulo. A Igreja celebra neste dia, desde o século III, o martírio desses apóstolos que foram assassinados porque muito amaram o Senhor! (cf. João Paulo II, Angelus, 29 de junho de 1987)

Assim nos disse a antífona de entrada:

Eis os santos, que vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus. 

Das palavras de S. Paulo na segunda leitura (cf. 2Tm 4, 7) podemos recolher o resumo da vida desses dois santos que são indicações também para as nossas vidas: (1) Combater o bom combate e (2) Guardar a fé. 

1. Combater o bom combate 

O Senhor nos chama, como chamou Pedro e Paulo, e nos dá também uma missão, uma vocação. E todos os chamados que Cristo nos faz, sejam eles quais forem, exigem combate, ou seja, é preciso esforço para vencer. A nossa maior vocação é à santidade, e ela exige muita luta!

Deus sabe de nossas fraquezas e conhece as fragilidades da nossa fé. Muitas vezes ouviremos de Jesus o que num momento de prova disse a Pedro: “homem de pouca fé, porque duvidastes?” (Mt 14, 31). Quando não, Ele irá atrás de nós, após termos lhe negado, como foi atrás de Pedro depois da ressurreição, e nos questionará: “Tu me amas?” (cf. Jo 21, 15).

Eles não esconderam as suas fraquezas: Pedro, de temperamento forte, é aquele que negou o Senhor logo depois da sua ordenação; Paulo era um perseguidor sanguinário dos discípulos de Jesus que nunca escondeu seu passado, mas fez dele a prova da autenticidade da sua pregação. 

A nossa missão não é fácil. São muitas as dificuldades, como as de Pedro, narrada na primeira leitura, e as de Paulo, na segunda. Mas a certeza de que o Senhor luta em nós nos consola e nos dá a garantia da vitória! Por isso podemos rezar como o salmista: “De todos os temores me livrou o Senhor Deus”.

S. Paulo e S. Pedro morreram como verdadeiros combatentes. Poderia parecer um fracasso a última página de suas vidas: o primeiro foi degolado e o segundo crucificado. Mas o que era aparente derrota, escondia uma vitória: eles foram fiéis até o final, sabendo que há uma prêmio que está reservado para os que combatem o bom combate: o céu!

Em resumo: sofreram, tiveram falhas, mas se mantiveram fiéis. Perseveram até o final, porque quem ama permanece fiel até o fim. Desta forma servem de exemplo para todos nós! Como disse o príncipe dos apóstolos: que sejamos “fortes na fé” (1Pd 5, 9)!

2. Guardar a fé

(a) Pedro: aquele que confirma os irmãos na fé

A confissão de fé de Pedro, no Evangelho de hoje, é muito importante para nós. Nele encontramos duas importantes indicações: Jesus é Filho de Deus, ou seja, é a realização da esperança do povo de Israel; e, além disso, e Ele mesmo funda uma Igreja e coloca a frente dela S. Pedro

Pedro é o primeiro Papa e assim como ele os seus sucessores são o sinal da unidade da Igreja e também a garantia de que nos é ensinado, ainda hoje, é o mesmo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Disse o Papa Bento XVI:

“Como Bispo de Roma, o Papa presta um serviço único e indispensável à Igreja universal: ele é o princípio perpétuo e fundamento visível da unidade dos bispos e de todos os fiéis”.

Ângelus, 29 de junho de 2005.

Ao entregar as chaves a Pedro, Jesus dá sentido à autoridade do Papa sobre toda a Igreja e também legitima a autoridade que é própria da Igreja

Jesus não entregaria as chaves só por alguns anos até que Pedro fosse assassinado. Portanto, Pedro continua vivo na Igreja, Pedro é o Papa! Pedro continua sendo o Bispo de Roma. Continua sendo a pedra, sólida e segura, sobre a qual se edifica a Igreja. E assim como os primeiros discípulos hoje nós também rezamos por Pedro, ou seja pelo Santo Padre, o Papa Francisco

Ao Papa Nosso Senhor diz ainda hoje: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não poderão derrotá-la” (Mt 16, 18). A esse propósito disse Orígenes:

“Nosso Senhor não precisa se é contra a pedra sobre a qual Cristo construiu sua Igreja ou se é contra a própria Igreja, construída sobre a pedra, que as portas do inferno não prevalecerão. Mas é evidente que elas não prevalecerão nem contra a pedra nem contra a Igreja”.

Orígenes, apud São Tomás de Aquino, Catena Áurea. In Mt 16, 13-19

(b) Paulo: o mensageiro da fé

Paulo é conhecido como o “apóstolo das nações”. Isso porque ele foi um grande missionário: fez viagens muito importantes para levar a mensagem de Jesus aos homens e mulheres de seu tempo levando a Igreja Católica por onde ele passava e depois que formava as comunidades continuava instruindo-as através de cartas, algumas das quais chegaram até nós.

Somente homens e mulheres, apaixonados por Jesus, como Paulo são capazes de vencer o comodismo e as perseguições para dizer sem medo que o único que salva é Jesus Cristo (cf. Rm 10, 9). Seu amor por Jesus era tão grande que chegou ao ponto de dizer: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). 

A Igreja não é um organização que vive da opinião do mundo nem mesmo da opinião dos seus membros. A Igreja vive do que pensa e do que manda Cristo. A Igreja não é um clube de livres pensadores, mas é a comunidade daquele que proclamam, junto com Pedro, a fé em Jesus, revelada pelo Pai, e repete com ele: “Tu és o Messias, tu és Deus, e não há no mundo um outro Salvador!

Pedimos hoje a graça imitar estes santos que tinham corações valentes e que superaram as humilhações e aparentes fracassos. Que tenhamos a graça de não medir esforços para que as pessoas possam conhecer Cristo, mesmo que isso nos custe penosos sacrifícios. 

Com Maria, mãe da Igreja e rainha dos Apóstolos, permaneçamos unidos na mesma fé pela qual viveram, morreram e venceram os apóstolos Pedro e Paulo!

(Pe. Anderson Santana Cunha)


“A Igreja recebeu essa pregação e essa fé, e, espalhada por toda a terra, cuidadosamente a guarda como se vivesse em uma única família. Ela preserva a mesma fé, como se tivesse uma só alma e um só coração, e a prega, ensina e transmite com a mesma voz, como se tivesse apenas uma boca. Certamente, as línguas são diferentes, de acordo com regiões diferentes, mas a força da tradição é a mesma. As igrejas da Alemanha não acreditam de maneiras diferentes, nem transmitem nenhuma doutrina diferente daquela pregada pelos da Espanha, da França ou do Oriente, como os do Egito ou da Líbia, nem das Igrejas constituídas no centro do mundo; mas, assim como o sol, que é uma criatura de Deus, é a mesma em todo o mundo, assim também a luz da pregação da verdade brilha em todos os lugares e ilumina todos os seres humanos que desejam chegar ao conhecimento da verdade”. (S. Irineu de Lião, Adversus Haereses, I, 10, 2)