12º Domingo do Tempo Comum

Em algumas imagens que representam Cristo ressuscitado, Nosso Senhor aparece segurando uma bandeira branca na qual repousa uma grande cruz, geralmente vermelha. Isso nos faz pensar na cruz de Cristo como um emblema da vitória. É por isso que hoje, retomando o tempo comum, somos colocados diante do tema do seguimento de Nosso Senhor e da cruz que cada um de nós temos que suportar e carregar. 

1. Duas atitudes diante da cruz 

Quais atitudes posso ter diante da cruz? Há apenas duas maneiras de reagir diante das “cruzes de cada”: ou aceitamos ou a rejeitamos. Em outras palavras: ou imitamos o bom ladrão, que aproveitou da sua justa crucificação para encontrar ali, no momento mais trágico da sua vida, o caminho da salvação; ou seguimos o exemplo do outro ladrão que, em meio a gritos e gemidos de dor, fez a opção de enfrentar a Deus e blasfemar. 

2. Nem tudo é cruz!

Hoje parece-nos oportuno fazer um importante alerta: tome cuidado porque nem tudo que você chama de cruz, é cruz de verdade! Eu vos explico: há dificuldades e sofrimentos na nossa vida que não são propriamente uma cruz, mas que o nosso egoísmo nos faz pensar que seja. Nem todo sofrimento é verdadeiramente uma cruz redentora! 

Será que tenho chamado de cruz aquilo que é próprio da minha escolha de vida (ser casado, ser consagrado; ser pai, mãe)? Será que não estou chamando de cruz um defeito pessoal que prejudica a minha forma de relacionar com os outros (e que eu poderia muito bem corrigir)? Eis uma importante verdade: nem sempre aquilo que a gente chama de cruz, o é de verdade, pode ser falta de amor!

3. A verdadeira cruz

Certa vez li em algum lugar a seguinte frase atribuída a um santo: “um sacrifício recebido com sorriso, santifica”. Eis a graça que nós, cristãos, temos: nós temos um exemplo a imitar nos passos de nossa via crucis, Nosso Senhor. Por isso, hoje somos convidados a olhar para a nossa dose diária de sofrimento assim como Cristo olhou aquele santo madeiro, assim como ele abraçou aquele divino lenho da Cruz. 

A vida não é só sofrimento, mas faz parte dela, e precisamos aprender a lidar com esses momentos difíceis, quando a nossa fé é provada, quando pensamos que não vamos aguentar, quando passa pela nossa cabeça a possibilidade de desistir. Na vida há alegrias sim – e muitas! – que Deus nos concede em sua graça, mas também há remédios amargos que precisamos tomar e que nos ajudam a crescer na fé e no amor. 

Por fim, confiemos à Virgem Maria. Assim como ela encontrou seu divino Filho logo no início da sua via sacra, assim também ela também vem a nosso encontro, e da mesma forma como que em nas vias sacras que adornam nossas igrejas, a Virgem – geralmente representada como uma mulher com um manto azul – está com Cristo em todas as estações, assim como estará sempre conosco! Que a nossa cruz seja como a de Cristo: caminho para a vida! Como rezamos na oração após o Ângelus: “que por sua cruz cheguemos à glória da ressurreição”.

Maria, mãe da piedade, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)