13º Domingo do Tempo Comum

O Tempo Comum pode ser definido como “o período da formação de nosso coração de discípulo”. É por isso que hoje, por exemplo, ouvimos falar sobre o tema do “chamado e do seguimento”: é a vocação de Eliseu, é o chamado à liberdade – sobre o qual nos falou Paulo – , é também o convite que Cristo hoje nos faz para segui-lo.

O trecho que acabamos de ouvir é o início a uma importante parte do Evangelho de Lucas: é o início da subida de Cristo para Jerusalém, onde Ele será morto e ressuscitará. É nesse caminho que vamos acompanhar Jesus neste e ao longo dos próximos domingos.

Alguns conselhos nos parecem ser úteis, a partir dos episódios que acabamos de ouvir: 

1. Pedir a virtude da constância

Diz o Evangelho que Jesus tomou uma “firme decisão” (no texto em grego está “endureceu o rosto”, para expressar essa escolha definitiva). Embora soubesse o que lhe esperava em Jerusalém, Ele não se intimidou, nem pensou num atalho, seguiu seu caminho.

Nós corremos sempre um grande risco: o da inconstância, ou seja, viver dos impulsos do momento e não querer tomar decisões definitivas. A “cultura do descartável” faz parecer que hoje nada é para sempre. Quantas pessoas têm dificuldade para tomar a decisão de assumir um compromisso definitivo: de ser sacerdote, de casar-se na Igreja, de ser um consagrado. Peçamos ao Senhor a graça de não ter medo de tomar a nossa “firme decisão”!

2. Acolher e preparar a acolhida para o Senhor 

Indo para Jerusalém, Jesus teria que passar pela região da Samaria, e por isso pede que se prepare por ali uma hospedagem para Ele. Porém os samaritanos não o receberam. Diante dessa desfeita, passa pela cabeça dos apóstolos a proposta de uma vingança. E a atitude do Senhor é muito simples: Ele se dirige a outros povoados. Muito pior do que o fogo vindo do céu, os samaritanos perderam a oportunidade de acolher a presença de Jesus. Eles ficaram privados do que existe de mais belo, mas verdadeiro e mais bonito: Nosso Senhor. 

Que nós preparemos acolhida para o Senhor em nossos corações e nos corações daqueles com quem convivemos, mas lembremos sempre: a escolha depende de cada um, e que o Senhor – por amor – respeita inclusive o “não” daqueles que o rejeitam.

3. Nada colocar na frente de Cristo 

A família é um grande presente de Deus, de forma alguma Jesus estaria menosprezando essa divina instituição com as respostas que acabamos de ouvir, para as desculpas que aquelas pessoas encontraram para ficar adiando o seu “sim!”. O que o Senhor nos ensina é que Ele deve ser prioridade em nossas vidas e que nada e nem ninguém podem ocupar o lugar de Nosso Senhor. “Não tenhamos medo de Cristo! Ele não nos tira nada, mas nos dá tudo” (1).

Maria, mãe da perseverança, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

(1) Bento XVI, Homilia do início do pontificado, 24/04/2005.