15º Domingo do Tempo Comum

Jesus nos responde, neste domingo, uma pergunta muito importante. Embora tenha sido feita para colocar Cristo à prova, ela apresenta a grande dúvida do coração humano: o que devo fazer para ter a vida eterna? Ou seja, o que é necessário fazer para ir para o Céu? (1) A resposta de Jesus é uma das mais belas parábolas da Bíblia: a história do bom samaritano

A estrada para o Céu é o amor: o amor a Deus, ao próximo e a si mesmo. E para ilustrar esse amor, Jesus conta a história de um homem (não muito bem visto pelos seus conterrâneos) que pratica a lei de Deus com perfeição. Mas quem é esse samaritano? É, antes de tudo, o próprio Jesus e, ao mesmo tempo, é um modelo para as nossas vidas.

1. Cristo é o nosso samaritano

Muitos santos, ao lerem esta página da Escritura, interpretaram que aquele homem que cuida do que foi espancado pelos ladrões, é Jesus Cristo, e o que está caído na beira da estrada somos nós. 

Comecemos pelo detalhe geográfico da história narrada por Jesus: eles estão descendo de Jerusalém para Jericó. Jerusalém está numa alta montanha, Jericó está abaixo do nível do mar. Há um significado por trás dessa informação: Deus desceu ao mais baixo da terra para vir ao nosso encontro, e ali nos encontra feridos pelo pecado, caídos à beira do caminho. 

O samaritano cuidou das feridas daquele que foi espancado, usou óleo e vinho, sinais dos sacramentos com os quais Deus nos cura, mas que também indicam o processo de conversão, que também é doloroso, assim como dói a ferida quando tocada pelo vinho. 

Ele deixou o homem aos cuidados de uma pensão. Entre vários significados é a imagem da Igreja, onde estamos todos nós, aqueles que foram encontrados à beira da estrada e fomos curados por Aquele que desceu do Céu e veio ao nosso encontro. E na Igreja permanecemos aos cuidados dos pastores que alimentam, ensinam, corrigem e cuidam das ovelhas.

2. Ser samaritano uns dos outros

Jesus contou essa parábola como um convite a imitar o gesto admirável daquele estrangeiro. Há tantas pessoas caídas que encontramos pelo caminho: dentro de nossas casas, em nossos trabalhos, em nossos grupos de pastorais. Quantas pessoas esperam a nossa atenção para ajudar a curar suas feridas. Mas esta parábola também é um convite a estar atentos à nos mesmo: é preciso também aprender a ser samaritano de nós mesmo.

O “próximo”, na mentalidade de algumas pessoas que ouviam essa parábola, eram apenas os amigos e, no máximo, aqueles que pertenciam à mesma pátria ou religião. Jesus inverte a lógica: o próximo é o samaritano, não o homem ferido, ou seja, o ponto mais importante não é “quem é meu próximo?”, mas “de quem eu me posso fazer próximo?”. 

Com essa parábola Jesus convida a enxergar a todos como alvos do nosso amor. Não há pessoa que deve ser excluído do amor de um cristão. Ao colocar no centro da parábola um samaritano Jesus nos ensina que próximo é também aquele que é considerado um inimigo, assim como era um samaritano para um judeu. E a parábola nos mostra um amor concreto, real, que custa, que consome meu tempo, meu dinheiro, minha vida. 

Este mandamento de Jesus não é impossível de ser vivido, foi o que nos disse a primeira leitura: a lei de Deus está ao alcance de todos. Foi Cristo que, como nos disse Paulo, reconciliou o mundo todo com sua cruz, e que com seu amor abraçou a todos, e por isso mesmo espera de nós atos de amor que não conheçam limites.

Maria, mãe da misericórdia, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)


(1) É verdade que a salvação é uma graça, ou seja, um dom gratuito de Deus, mas também é verdade que – como diz S. Agostinho, o doutor da graça – “aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti”!