16º Domingo do Tempo Comum

O Senhor nos acolhe em sua casa, a Igreja, aqui Ele nos ensina e nos prepara um banquete. Esta casa é o começo da mansão celeste que nós tanto desejamos. É por isso que cantamos no salmo: “Senhor quem morará em vossa casa?”. Porque esse é o nosso maior sonho, a meta de nossas vidas, aquilo que nosso coração tanto deseja. 

É bonito notar que as leituras de hoje falam de acolhida, de hospitalidade: os peregrinos que são acolhidos por Abraão; é Cristo acolhido na casa dos amigos. Hoje somos nós acolhidos aqui, na Igreja, a casa do Senhor. 

Convido-vos, após ouvir esses textos bíblicos, a considerar dois conselhos que parecem oportunos: cultivar boas amizades e aprender a ouvir o Senhor

1. Cultivar boas amizades 

Com Jesus, nesta Missa, nos encontramos em Betânia, na casa de seus amigos. É ali, naquele lar que Jesus descansa e encontra a alegria da amizade, é ali onde Ele encontra carinho, afeto e paz. Como é bom (e necessário) cultivar boas amizades! Jesus, homem como nós, também conheceu o que significa ser amigo, quando chorou por Lázaro, disseram: “vejam como Ele o amava” (Jo 11,36).

Na Bíblia encontramos muitos elogios a respeito da amizade. “Quem encontrou um amigo encontrou um tesouro” (Ecle 6, 14). Uma grande prova da amizade é a fidelidade, principalmente nas dificuldades, quando os interesses acabam e não se pode mais oferecer nada além da própria companhia. Os verdadeiros amigos se veem nas dificuldades!

Além disso, a sinceridade é um sinal de verdadeira amizade, tanto é verdade que pelo modo como as irmãs tratam Jesus se vê uma grande liberdade para falar e para ouvir, sempre de maneira respeitosa. 

Quantos santos, ao longo da história da Igreja, cultivaram grandes amizades que, ao mesmo tempo, eram um bálsamo de alegria e confiança, também era um incentivo para o crescimento na santidade. Assim foi com São Francisco e Santa Clara, São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marilac, Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier, São João Bosco e São Domingos Sávio… E o que tiveram todas essas amizades em comum? Eram, antes de tudo, amigos de Cristo!

2. Aprender a ouvir o Senhor 

O mais importante na nossa vida não é tanto o que fazemos, mas sim “estar com Cristo”. Na Missa fazemos essa experiência de uma maneira profunda: na primeira parte – na liturgia da palavra – nos sentamos aos pés do Senhor, ouvimos sua doce voz que ecoa pelas palavras sagradas; depois, na segunda parte – na liturgia eucarística – Ele parte o pão para nós, e se entrega a si mesmo como nosso alimento. 

Também ouvimos o Senhor em nossas práticas cotidianas de oração. É o Senhor que fala conosco quando rezamos ao nos levantar, na oração de agradecimento pelas refeições, no Santo Terço, na prece final que elevamos aos céus no final de nossa jornada. Também aquele que durante o seu trabalho tem o coração voltado para Deus está aos seus pés, ouvindo as suas palavras.

Nós, como Marta, andamos agitados por tantas coisas, e corremos o risco de nos esquecer do que é essencial, do único necessário. De quanta coisa estamos ocupados! As palavras de Jesus colocam um contraste entre “as muitas coisas” que preocupam Marta e “ a única coisa” necessária. O mais importante é o fim para que fomos criados: a vida eterna. 

Que esta reflexão dominical nos ajude a escolher a melhor parte, a parte que não nos será tirada, que é justamente o tempo dedicado ao Senhor. Que não descuidemos do essencial: acolher Cristo e escutar sua voz. Que saibamos harmonizar a vida de oração e a vida de trabalho, de tal forma que rezemos trabalhando e trabalhemos rezando. 

Maria, mãe acolhedora, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)