18º Domingo do Tempo Comum

Aos domingos temos a graça de encontrar-nos com o Senhor ressuscitado que nos alimenta com seu próprio Corpo e Sangue. Somos fortificados por esse grande dom que é a Eucaristia. Ao mesmo tempo, Deus nos concede a alegria de escutar sua voz, através dos textos bíblicos que são escolhidos para cada Santa Missa. Neles encontramos, simultaneamente, um tesouro, uma bússola, um remédio. 

Para melhor compreender o ensinamento que nosso Divino Mestre reservou para este dia, imaginemos a situação que é apresentada à Jesus por alguém da multidão como um sintoma de enfermidade, que Nosso Senhor faz o diagnóstico e, logo em seguida, também apresenta o remédio

1. O sintoma

Alguém reclama com Jesus a respeito de um problema muito pontual: uma dificuldade entre irmãos por conta de uma herança. Certamente uma questão que não é apenas da época de Jesus, mas que ainda hoje gera muitos conflitos dentro das famílias.

2. O diagnóstico

Cristo afasta, logo de imediato, a questão da justiça que envolve essa situação. Afirma não ser juiz para esse tipo de coisa. Mas logo identifica, a partir do sintoma relatado (o problema na divisão da herança), uma doença: a ganância. Vejam bem! Não é que Jesus o chama de ganancioso (talvez lhe fosse um direito), mas o Senhor aproveita a ocasião para denunciar o perigo da ilusão das riquezas.

Poderíamos alargar essa lista com outros nomes com que essa enfermidade se apresenta: o pecado da avareza, o apego às coisas materiais, a obsessão pelas riquezas… E assim como qualquer outra doença, esta não só nos faz muito mal, como também gera uma série de outras que são tão nocivas quanto.

3. O remédio

Nosso Senhor, como um bom médico, tendo diagnosticado a doença espiritual – que hora ou outra pode também nos infectar – Ele logo apresenta os remédios que devemos usar para que tal enfermidade seja curada. Eis os medicamentos que não só ajudam a vencer tal enfermidade, como também a previne:

a) Meditar sobre a própria morte: o tema da partida deste mundo aparece tanto na primeira leitura quanto na parábola narrada por Jesus. Ter diante de si o mistério do fim da vida terrena é uma forma muito dramática, porém benéfica, para aprender a lidar com a “fumaça” (vaidade) que são as coisas materiais.

Convêm, como faz a Igreja, dedicar alguns segundos no fim do dia para fazer um bom exame de consciência, que nos ajude a preparar para o nosso encontro definitivo com o Senhor. 

b) Buscar as coisas do alto: é o que nos aconselhou S. Paulo na epístola que ouvimos. Isso na prática significa muita coisa: dedicar tempo para as coisas de Deus, aprender a partilhar, tomar cuidado com o exagero de preocupação com as coisas terrenas, morrer para os pecados e os maus costumes…

É interessante notar uma diferença: sobre Maria, a irmã de Marta, Jesus diz que ela escolheu a melhor parte, parte que não vai ser tirar; outra coisa é o que Ele diz sobre o rico da parábola, sobre ele Jesus diz que vai perder tudo! Eis, irmão, o grande tesouro de nossas vidas: Cristo; Ele é a melhor parte, a melhor escolha, a verdadeira riqueza. 

Concluo partilhando uma bonita experiência que ouvi há alguns anos de uma filha que acompanhou a sua mãe, debilitada pela idade e enfermidade, em seus últimos momentos. A filha me contou que já perto de deixar essa vida, em meio a suas dores, todavia numa grande serenidade, sua mãe fez uma última súplica: “Senhor, vem me buscar!”. Assim vivem e morrem os cristãos: na busca, na espera e no encontro com o Senhor!

Maria, mãe da divina graça, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)