19º Domingo do Tempo Comum

A oração do dia, rezada pelo sacerdote no início da Santa Missa, apresenta um pedido e, ao mesmo tempo, uma promessa: pede-se a Deus (a quem temos a ousadia de chamar de Pai!) um coração de filhos e, sendo filhos aguardamos, uma promessa: a herança eterna. Meditemos, portanto, sobre esse pedido e sobre a herança que o Senhor, nosso Pai, nos promete a partir de duas palavras: confiança e vigilância. 

1. Confiança

Quanta coisa pedimos a Deus quando lhe suplicamos um coração de filhos! Porém, ouvindo as leituras bíblicas que foram escolhidas pela Igreja para esta Santa Missa dominical, é possível identificar uma evidente característica desse coração: a confiança. Por isso Jesus começa o evangelho dizendo: “não tenhais medo!”

Os filhos – ao menos assim deveria ser – confiam nos seus pais, porque eles lhes inspiram confiança e segurança. Se é assim com nossos pais biológicos, mais ainda deveria ser a nossa confiança em Deus. A primeira leitura é justamente a proclamação dessa certeza: Deus promete e cumpre, portanto é digno de confiança, é digno de fé. 

A segunda leitura contou-nos, numa longa catequese, o que é a fé. Em poucas palavras o ato de fé é justamente confiar naquilo que ainda não vemos pela autoridade de quem nos fala. Deus não mente e nem poderia nos enganar, por isso o que Ele nos revelou nós acreditamos, muito mais do que se tivéssemos visto. 

2. Vigilância

O coração de filho é também um coração sempre pronto, vigilante, que não teme ser pego de surpresa porque vive na espera do Pai celeste e nada tem para esconder Dele. Essa prontidão é simbolizada por Jesus com imagens bem claras como os rins cingidos (como o povo da época de Jesus usavam túnicas largas, estar com os rins cingidos, isto é, com uma corda erguendo a túnica na cintura, significava prontidão, agilidade para o movimento) e também as lâmpadas acesas.

Longe de nos querer causar pavor, o que Nosso Senhor quer ao nos falar sobre o seu retorno (ou seja, da nossa morte física e também da sua segunda vinda), é nos lembrar que estamos sempre diante de Deus e por isso não há momento em que não estejamos sob o seu olhar. Além disso, é importante recordar que estamos esperando o amor de nossas vidas, quem não ficaria feliz nesta espera?

Por fim, parece importante destacar uma pergunta que faz Jesus: “onde está teu coração?” No que pensamos durante nosso dia? Quais são as nossas preocupações? Com o que temos gastado nossas forças e nosso tempo? Em quem temos confiado e esperado? Porque gastamos tempo e preocupação com aquilo que consideramos importante, e corremos o risco de se preocupar demais com o que não é essencial e assim considerar como tesouro aquilo que não é. 

Que Deus nos ajude na construção do tesouro celeste!

Maria, mãe da fé, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)