1º Domingo do Advento

Irmãos, feliz novo ano litúrgico! Esse novo ano, no qual nos acompanhará o evangelista São Lucas, começa hoje com o Tempo do Advento. Esse tempo tem como objetivo nos preparar para acolher o Senhor, que já veio, que vem e que virá. Ele abraça todos os tempos, porque ele é o princípio e o fim, é o Senhor da história!

Durante quatro semanas a Igreja irá nos orientar, como num grande retiro espiritual, para viver com profundidade e colher abundantes frutos da festa do Natal do Senhor. De fato, o mistério da Encarnação, que celebraremos na noite da natividade de Jesus, é um mistério profundo que merece nossa atenção e meditação.

Para começar bem esse ano e esse ciclo litúrgico, podemos destacar – a partir dos textos bíblicos – que este é um tempo de esperança, de amor e de despertar

1. É tempo de esperança

A virtude da esperança é fundamental para a vida cristã. Por isso que, mesmo diante das catástrofes – como escutamos no evangelho – o cristão é chamado a erguer a cabeça, porque confia e sabe que não ficará sem ser atendido! 

É por isso que o Senhor vem, vem para estar conosco, para nos dar confiança, para nos livrar do medo e da angústia. O evangelho mostra-nos um contraste: por um lado o medo e a angústia dos homens diante dos fenômenos finais e por outro a esperança e a confiança dos que creem. Assim vive um cristão: mesmo que tudo pareça cair e desmoronar, ele sabe em que depositou sua confiança

É a esperança do povo de Deus, que ouvimos na primeira leitura, que aguardava a vinda de um salvador, da família de David. É a esperança da vida nova, prometida por Jesus, que começa já, pelo batismo, e cuja plenitude está reservada para a vida eterna. A vida de quem tem ´fé é cheia de esperança.

2. É tempo de amor

Advento é tempo de esperança, de vigilância e prontidão. Mas não se trata de uma espera de braços cruzados, mas de uma espera alegre, que se alimenta pela oração e por gestos concretos de amor

É por isso que São Paulo, na epístola que acabamos de ouvir, nos fala de um importante caminho para ir ao encontro do Senhor: o caminho da caridade, do amor. “O amor é a última palavra; é teu amor o que dá sentido à vida” (1).

3. É tempo de despertar

Ao longo dos dias deste tempo santo, a Igreja repetirá o convite para que “acordemos para a vida!”. De perceber quais são as coisas mais importantes da vida e que pode ser que estejamos deixando-as de lado. 

Na prática isso significa que no Advento é oportuno intensificar as nossas orações, é muito importante fazer um bom exame de consciência e procurar o sacerdote para a confissão. É o momento certo para refletir sobre o que nos tem distanciado de Deus.

A promessa de libertação, feita por Jesus, é antes de tudo uma referência à liberdade com relação aos nossos pecados. Que começa já, na confissão, e que será plena na vida eterna. Isso é uma boa notícia, como a notícia de liberdade que chega aos ouvidos de um prisioneiro.

Este também é um tempo de lutar, de fazer bons propósitos para vencer os “entorpecentes” que nos iludem e nos fazem esquecer do que é mais importante. Na lista de Jesus aparecem três aos quais devemos ficar muito atentos: a gula, a embriaguez e o cuidado desta vida. 

Conclusão

Em quase todos os textos bíblicos que ouvimos os verbos estão no futuro e embora as pinceladas das imagens tenham tons apocalípticos, sua intenção não é gerar medo, mas é uma mensagem de esperança. O que o Senhor nos ensina é que não estamos caminhando para um vazio, para um abismo, mas para um encontro! Sim, estamos caminhando para os braços Daquele que nos criou e que nos ama!

Maria, mãe da esperança, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)


(1) João Paulo II, Homilia, 3 de dezembro de 2000.