3º Domingo da Quaresma

Penso que uma pergunta vai muito bem no início desta nossa reflexão: como vai a minha quaresma? Estamos praticamente na metade deste tempo santo de preparação para a Páscoa e é importante considerar os passos que já demos e os que ainda queremos dar. 

O Evangelho tem dois convites: o primeiro é a conversão, que Jesus faz a partir da notícia de algumas tragédias, e o segundo é a não adiar as mudanças que temos que fazer, e para isso conta a parábola da figueira estéril. 

Por isso, convido-vos a considerar duas grandes verdades que a quaresma quer nos lembrar:

1. Deus me ama e me quer livre 

As palavras de Deus a Moisés, que ouvimos na primeira leitura, rasgam diante de nós o coração carinhoso de Deus. Eis o que fala o Senhor: “eu vi a aflição do meu povo”, “ouvi o seu clamor” e “desci para libertá-los”. Deus está falando de Israel, mas também está falando de mim e de vocês! Ele viu nossa situação e veio em nosso socorro! E Deus diz mais ainda: “Sim, eu conheço os teus sofrimentos”. 

Se é da sarça que não se consome que Deus fala a Moisés, a nós Ele se revela pela sarça ardente de caridade que é a Cruz. Eis a grande revelação do amor! Se é verdade que Deus libertou o povo de Israel da escravidão no Egito, é também verdade que ele quer nos resgatar da escravidão e nos levar também para a terra da liberdade, quer arrebentar os grilhões dos vícios, dos pecados. 

2. Deus não castiga, mas quer a minha conversão urgente

O evangelho recorda duas tragédias do tempo de Jesus que certamente impactaram muito o povo: a matança de alguns galileus por parte de Pilatos e o desabamento de uma torre que causou várias mortes. Na cabeça de muitos na época de Jesus (e também na nossa época) quem morria de morte violenta ou de acidente morria por um castigo de Deus. 

Jesus nos ensina a ler os acontecimentos, inclusive as tragédias que chegam aos nossos ouvidos, ou que acontecem com as pessoas que nos são próximas, com o olhar da fé. Jesus nos ensina a não colocar a culpa em Deus e também a aprender com tais acontecimentos a não adiar a nossa conversão.

A questão não é de que morte vamos morrer, mas como está o nosso coração: voltado para Deus ou longe Dele?

Jesus não é moralista, mas realista! O convite a mudar o rumo de nossa vida não é por mal, mas ao contrário, é porque Ele nos ama e nos chama a deixar o lamaçal em que nos metemos com péssimas escolhas e maus costumes, que nos fazem infelizes e tristes. 

Por outro lado, este trecho do evangelho também nos coloca diante da questão do sentido da morte corporal. Jesus nos ensina a pensar na morte não como um “perder a vida”, mas sim “um ganhar”, ganha a vida verdadeira. E Ele nos ensina que “ganha” a vida eterna quem passou essa vida toda “perdendo”, ou seja, entregando-a nas mãos de Cristo e a serviço dos irmãos. 

Um outro assunto importante neste evangelho é este: Deus tem paciência! E por isso Nosso Senhor conta a parábola da figueira estéril. De fato, este é o tempo da paciência de Deus. É o que disse São Pedro: “Deus usa de paciência para convosco, não querendo que alguns pereçam, mas que todos cheguem à conversão” (2Pd 3,9). 

E tal paciência se manifesta no “adubo” que Ele coloca em nós. Deus, assim como o dono da vinha, nos deu também mais um ano, uma nova Quaresma, porque confia e espera que saiamos dela diferentes de como entramos. Quanto “adubo” temos recebido, de modo especial neste tempo litúrgico! Será que Cristo encontrará frutos de conversão em nossas vidas na conclusão desta Quaresma?

Eis, irmãos, um conselho muito importante: viver sempre unidos a Cristo, pois Ele diz que quem está unido a Ele dá muitos e bons frutos. Permaneçamos unidos a Ele todos os dias desta vida! Infeliz de quem vive sem Cristo, talvez produza alguns frutos amargos, quando não, se tornará estéril.

Para concluir, escutemos este sábio conselho que nos deu hoje o apóstolo Paulo e serve para todos: “quem julga estar de pé tome cuidado pra não cair”! 

Maria, mãe da divina misericórdia, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)

Textos para meditação 

Ao dizer seu nome, “Eu sou”, Deus se revela próximo, um nome enigmático e muito significativo. Convêm hoje lembrar que devemos santificar o nome de Deus, como rezamos no Pai Nosso, e também não tomar seu nome em vão, como nos ensina o Decálogo.