3º Domingo de Páscoa

 Hoje nós nos encontramos com Aquele que esteve morto, mas que agora vive, e vive para sempre! No domingo, os cristãos se reúnem como corpo de Cristo (a Igreja), para fazer refeição com o Senhor ressuscitado.

É interessante notar que, quando o Senhor aparece aos discípulos eles não o reconhecem; isso também pode acontecer conosco! É preciso dar-se conta de que o Senhor também vem a nós e a sua presença nos ilumina e dá sentido à nossa vida, inclusive nos fracassos!

Durante os quarenta dias que vão da manhã da ressurreição até o dia da Ascensão, Nosso Senhor apareceu aos seus discípulos. Foi nesse período que ele deu aos apóstolos, além das provas de sua ressurreição, importantes ensinamentos sobre a Igreja. Domingo passado, por exemplo, instituiu o sacramento da confissão, hoje confirma o primado de Pedro, o Papa

Meditemos sobre as 3 Cenas do Evangelho – que hoje narra a terceira aparição do ressuscitado – que nos permitem mergulhar no ensinamento desta catequese dominical de Jesus:

1ª cena: o fracasso

Depois da tristeza do calvário, os discípulos voltam à vida de antes. Parece que tudo foi uma grande ilusão. Quantas promessas que Jesus tinha feito e agora tudo parecia vazio e sem sentido. Pescaram a noite toda, não pegaram nada, um grande fracasso. Esses detalhes se parecem com os momentos em que as dificuldades de nossa vida parecem nos submergir e já não temos mais força. 

Quantas vezes o trabalho parece vão, quantas vezes o cansaço toma conta dos pais e das mães na sua missão de conduzir a família; tantas outras vezes nos desanimamos de nosso trabalho pastoral na Igreja e pensamos em desistir; quantos sacerdotes e consagrados que pela fadiga e pela pesca aparentemente fracassada já não tem mais força para continuar… 

Porém, é de manhã, e na Bíblia a aurora do dia é sinal de grandes coisas, da ação extraordinária de Deus, é também naquela manhã que Cristo foi ao encontro dos discípulos como hoje vem a nós. Voltar àquele lago tem também um sabor de história, pois foi no lago que Cristo encontrou-se com eles, chamou-os, e eles, deixando tudo, o seguiram. É preciso sempre voltar ao início da nossa história com Cristo, lembrar-se sempre do primeiro amor.

2ª Cena: a obediência

Aquele estranho dá a um ordem e aqueles pescadores confiam nele. A ordem é ilógica: os peixes são mais fáceis de serem apanhados à noite, não na claridade do dia. Porém a pesca é abundante, o milagre acontece. Irmãos, a nossa missão na Igreja, na família, na sociedade, não depende exclusivamente do nosso esforço, depende de Deus, é dom de sua graça

Lançar as redes é um ato de fé, é preciso acreditar no Senhor, na sua Palavra. É preciso obedecer aos nossos legítimos superiores que nos transmitem a ordem de Deus, e, acima de tudo, obedecer a Cristo, Nosso Senhor, como diz Pedro. É por isso que ouvimos, na primeira leitura, uma catequese do mesmo Pedro ao sinédrio e a nós: Cristo, aquele que foi crucificado, foi exaltado e é nosso guia e nos dá o perdão dos pecados. 

3ª Cena: o amor

Só reconhecer Jesus quem o ama. Só pode reconhecer Cristo na Eucaristia, na sua Palavra e nos irmãos aquele que o ama e afirma com fé: “é o Senhor”. Aqueles que dão pouco valor à Eucaristia, que quase nunca vem à Missa, pouco escutam sua Palavra e não sabem reconhecê-lo nos que sofrem e nos pobres, é porque amam pouco a Nosso Senhor

Vejam que interessante: Cristo ressuscitado – que já não precisa mais de alimento – come com eles. Fazer refeição é símbolo de intimidade, comunhão e amizade. E nós somos convidados também a comer com o ressuscitado, aliás, somos chamados a nos alimentar Dele, que é a verdadeira comida e bebida. É por isso que a Eucaristia é o centro da vida dos cristãos, daqueles que amam a Nosso Senhor. 

Rezemos pelo nosso Papa, que é Pedro, para que seja bem firme na fé e no amor, assim como o primeiro Papa. Peçamos também a Nosso Senhor a graça de não desanimar nos fracassos, a ser obediente a Cristo e a saber reconhecê-lo com amor na Eucaristia. 

Maria, mãe do ressuscitado, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)