4º Domingo da Páscoa

O tempo pascal é marcado por uma especial alegria, cuja fonte é a certeza da ressurreição de Nosso Senhor e, além disso, é marcado pela esperança da nossa glória futura. Hoje, irmãos, nossa alegria aumenta pela bonita mensagem que nos é anunciada: nós somos o rebanho do Senhor, a Igreja de Cristo Ressuscitado. 

Uma antiga imagem usada pelo povo de Israel para referir-se à relação de Deus com o seu povo é a figura do pastor. Sabemos que de profissão Jesus era conhecido como “o carpinteiro” (Mc 6,3), mas ele se utiliza dessa imagem tão bonita, que era bem conhecida pelos judeus e usada para referir-se aos reis de Israel, mas, acima de tudo, a Deus

Ao dizer “Eu sou o bom Pastor”, os judeus já podiam perceber que ele estava falando “Eu sou Deus”. Sim, Cristo é o Bom Pastor que, assim como os bons pastores do tempo de Jesus, enfrentou os salteadores para salvar as suas ovelhas; Ele não se acovardou como o mercenário, que quando vê o lobo foge, mas o enfrentou na cruz e assim resgatou a nós, suas ovelhas. 

O Evangelho tem duas mensagens importantes, um convite e uma promessa: 

1. Convite: Escutar, conhecer e seguir

Diz Jesus: as ovelhas escutam a minha voz, me conhecem e me seguem. Prestemos atenção nestes verbos.

Escutar: Diante do anúncio do Evangelho há duas atitudes, a acolhida ou a rejeição, é o que ouvimos na primeira leitura. Há que escolher não ouvir a voz do Senhor. Escutar, portanto, aqui também significa crer, ou seja, pertence ao seu rebanho os que professam a fé católica e a vivem. Como se pode escutar hoje a voz de Jesus e ser sua ovelha? Jesus resolveu isso, de maneira que em todos os tempos se ouvisse a sua voz, criou a Igreja. Sim, Ele está vivo, por isso podemos ouvir a sua voz!

Era muito comum que os pastores, durante a noite, deixasse as ovelhas em um aprisco comunitário, um lugar seguro, para passarem a noite. No outro dia, o pastor chegava na porta e com algum tipo de som que emitia chamava apenas as suas ovelhas, que, por sua vez, sabiam reconhece a voz do seu pastor. É disso que Jesus está falando! 

Conhecer: para o povo semita, conhecer é muito mais do que um ato intelectual, é um ato afetivo, um ato de amor. Jesus está dizendo: eu conheço (= eu amo) as minhas ovelhas. Há um conhecimento recíproco entre ovelhas e pastor. Ele não sabe de nós de maneira externa ou superficial, mas conhece quem somos, já bem antes que fossemos concebidos, sabe por aquilo que passamos, conhece as lágrimas que derramamos sozinhos em silêncio. Ele me conhece, não sou um estranho a Cristo. “Conhecer pelo nome“, na Bíblia, significa conhecer a essência mais íntima. Ele nos conhece porque morreu por nós, na Cruz pagou a nossa dívida. 

É interessante notar que, diferente do costume ocidental, onde se criam as ovelhas para o consumo da carne, em Israel era muito mais comum que elas fossem criadas para obter a lã e o leite, por isso o pastor permanecia muitos anos com as ovelhas, e assim conhecia a cada uma e era capaz de chamá-la individualmente. 

Seguir: Quiser me seguir, disse Jesus, tome a sua cruz. Eis a condição para ir atrás desse Pastor. É por isso que na segunda leitura se falava daqueles que vieram da grande tribulação. O caminho desse Pastor passa pela Cruz, e as ovelhas também passam por ele.  

Dizer que fazermos parte deste rebanho também quer dizer que pertencemos a Deus, somos dele. Eis, portanto, o que é ser cristão: escutar a voz de Cristo, conhecê-lo e segui-lo

2. Promessa:  Segurança nesta vida e a vida eterna 

Aquele que escuta, conhece e segue o Senhor recebe uma bonita promessa: segurança nesta vida e  a vida eterna. Foi o próprio Cristo que nos disse isso no Evangelho de hoje. Essa é a missão de Jesus, Ele veio para nos dar a vida eterna!

Quanta ternura nessas palavras do divino Mestre: “eu dou a vida eterna e ninguém as vai tirar das minhas mãos”. Quanta certeza, quanta fé, quanta esperança deve brotar em nossos corações neste domingo ao ouvir essas palavras! Ela é nosso pastor, nada nos falta! Sim, segurança temos em suas mãos, como crianças agarradas aos seus pais.

Em quem temos confiado? Em quem temos colocado nossas esperança? Na política? Nas ciências? No dinheiro? A nossa confiança é o Senhor, o pastor que cuida de nós. Irmãos, estamos em boas mãos, nas mãos do Bom Pastor, do Cristo ressuscitado. E Ele nos promete o que de mais importante poderíamos esperar: a vida eterna.

Se no domingo passado o Senhor convida aos apóstolos a serem “pescadores de homens”, hoje ele os chama de “pastores de almas”. Peçamos ao Senhor, neste dia mundial de oração pelas vocações, que não falte pastores santos na Igreja, que alimentem o rebanho do Senhor, com a Palavra de Deus e os sacramentos, e o conduza à vida eterna prometida por Nosso Senhor. 

Dai-nos Senhor, numerosos e santos sacerdotes!

Maria, mãe das vocações, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)