5º Domingo da Páscoa

Um dos convites para a oração do Pai Nosso na Santa Missa é uma belíssima exortação: “formados por seu divino ensinamento”. Eis, irmãos, uma grande verdade que se repete todas as vezes que nos colocamos a ouvir a voz do Senhor, ecoada pela voz da Igreja, que ensina o que Cristo ensinou. Hoje também nós temos a graça de ser formados pelo Divino Mestre. 

Neste tempo pascal, Cristo nos oferece a oportunidade de encher nossas vidas de alegria e esperança. A mensagem da Páscoa é um feliz anúncio da vitória de Nosso Senhor que também, de certa forma, é nossa vitória. Por isso Ele nos ensina na Missa o caminho do Céu que, como ouvimos nos textos bíblicos, passam necessariamente pelo amor e pela dor. Eis, pois, as três palavras que orientaram nossa meditação: amor, dor e céu.

1. Amor

Hoje a Igreja nos leva, de novo, à noite da última ceia. É naquela primeira Missa que o Senhor nos deu uma ordem, um mandamento novo. E ele, antes de nos dar essa nova lei, usa uma expressão carregada de carinho e ternura, chama-nos de “filhinhos”. Como um pai que dá a seus filhos o testamento, diz aos seus herdeiros a sua vontade, assim Cristo na última ceia deu-nos um ensinamento que não pode nunca sair dos nossos corações

A ordem de “amar uns aos outros como a si mesmo” já estava contida na Lei (cf. Lv 19,18). A novidade, que é um acréscimo de Nosso Senhor, é o este: “como eu eu vos amei”. Agora, irmãos, temos um exemplo claro e evidente do amor, o verdadeiro amor, que passa pela cruz para chegar à vitória da ressurreição

2. Dor

O amor de verdade é sempre acompanhado da dor. Como duas faces de uma mesma moeda: se por um lado desejamos amar, por outro devemos esperar os sofrimentos, porque é próprio do amor o sacrifício. Quer saber se alguém te ama? Veja o quanto ela é capaz de se sacrificar por você!

É por isso que Paulo e Barnabé – na primeira leitura – exortam os primeiros cristãos, e também a nós, com as seguintes palavras: “é preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 15,22). 

Mas, aprendamos bem, o cristão não sofre por sofrer. O cristão suporta as penas desta vida olhando sempre o exemplo de Nosso Senhor, que não sofreu a toa, mas porque tinha diante de si uma grande e nobre missão. Assim, o nosso sofrimento torna-se também local da glorificação de Deus. Tanto é verdade que, no início do evangelho de hoje, Jesus diz que “o Filho foi glorificado”, após ver sair o traidor, às vésperas da crucificação. Sim, cruz e ressurreição andam juntas, em nossas vidas.  

3. O Céu

Quem não se alegra ao ouvir o que foi descrito na segunda leitura? João contempla o Céu e nos anuncia aquilo que todos nós esperamos: o sofrimento e a morte terão um fim, não haverá mais luto, tudo se fará novo. Que pena, irmãos, que o mundo (e muitos cristãos) não conhece essa esperança que deve pulsar em nossos corações. Sim, nós passamos por grandes tribulações nesta vida, mas sabemos que, terminados os nossos dias neste exílio, voltaremos à casa do Pai

Que bela promessa é aquela que diz a voz que sai do trono: “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos”. A dor vai ter fim, o mal vai ter fim, e só restará o amor! Por isso, caríssimos, peçamos que esta Santa Missa nos ajude a recuperar a nossa esperança na pátria celeste, para suportar as dificuldades desta vida, e nos ajude a manter os olhos fixos naquele que nos promete um novo céu e nova terra! Eis a regra: olhe sempre para meta, Ele te ajudará e nunca te deixará sozinho!

Maria, mãe da esperança, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha)