5º Domingo da Quaresma

No domingo passado, o Senhor nos acolhia como o pai que encontrou o filho que estava perdido, hoje ele acolhe a nós, que fomos pegos no flagrante adultério da idolatria do pecado e que também colecionamos pedras nas mãos, prontos para lapidar os outros. E a todos o Senhor convida a experimentar o seu amor!

Consideremos, antes de tudo, que Jesus está diante de uma dura escolha: se ele confirma a lei, a mulher é apedrejada, se ele rejeita a lei, ele poderia ser apedrejado. Mas os fariseus e os mestres da lei se esquecem que estão diante da Sabedoria Eterna que, além de lhes desmascarar a hipocrisia (que já poderiam ter apedrejado a mulher sem precisar do juízo de Jesus), aproveitou tal ocasião para ensinar a nós, que nesta Igreja nos reunimos para a Santa Missa. 

Meditemos, irmãos, sobre três conselhos que o Senhor nos dá: 

1. Deixar cair as pedras de nossas mãos

O Evangelho conta a nossa história! Somos nós com as pedras nas mãos, acusando e julgando, espalhando e comentando os erros dos outros. Peçamos a Senhor: Senhor, que me perturbe a minha hipocrisia e que eu não me acostume a viver com a máscara da falsidade! 

Hoje o Senhor que fazer também conosco o que fez com aqueles homens, que se julgavam justos e piedosos, e quer nos revelar o que já sabemos, mas muitas vezes preferimos esquecer: somos pecadores, precisamos da misericórdia! 

Eis, irmãos, um bom termômetro que devemos ter diante dos olhos: quanto mais tempo fico longe da confissão, mais semelhante com aqueles homens me torno, porque quem não se confessa, não se reconhece pecador. Uma outra coisa também é importante lembrar: aquele que se diz arrependido, mas não quer ir ao sacerdote confessar-se, não se arrependeu de verdade, pois ainda veste o manto do orgulho e da prepotência

2. Olhar para aquele que nos ama

O Evangelho conta a nossa história! Somos nós, caídos no chão, acuados e com medo da morte, acusados por nossos graves erros. Peçamos, hoje, ao Senhor: Senhor, que me incomode a escravidão do pecado, que eu não me acostume com a vida longe de Deus, que eu encontre a ternura do teu olhar e que ele me levante do pó do chão, para onde o pecado me arrastou. 

Depois de ordenar que quem não fosse pecador começasse a lapidação da mulher, Jesus escreveu no chão. E o que ele escreveu? Não sabemos. Parece que Ele imita o gesto de Deus que, diante de Moisés, escreveu as tábuas da Lei com seu próprio dedo. Talvez Ele tenha escrito a nova lei: “amai-vos, como eu vos amei”. E, por fim, a cena fica ainda mais surpreendente quando todos saem, só fica Jesus e a mulher, só permanecem “a miséria e a misericórdia.” (1)

3. Viver uma vida nova 

Eis, no final do Evangelho, uma grande lição: Jesus acolhe o pecador, mas rejeita o pecado! Sim, isso é verdade, senão Ele teria dito à mulher: “vai, e volte à sua vida de antes!” (2). Mas não, Ele a convida a abandonar o passado. É o mesmo convite que Ele nos faz! Não fiquemos remoendo o passado, tenhamos a coragem de recomeçar, como disse o profeta Isaías, na primeira leitura.

Um bonito exemplo de vida nova é a história de São Paulo. Na epístola que ouvimos a pouco, por exemplo, ele nos fala da alegria da vida em Cristo: esqueço tudo o que ficou pra trás, o Senhor me alcançou, agora sou Dele, tudo nesta vida não vale nada perto Dele, é como se tudo não passasse de esterco!

Para concluir, é interessante este conselho que nos dá o apóstolo Paulo: cuidado para não achar que já ganhou a corrida! (como a lebre que – naquela historinha que ouvimos na infância – ficou dormindo, achando que já tinha ganhado a corrida da sua adversária, a lenta tartaruga, que acabou vencendo a corrida por conta da presunção da lebre).

Maria, mãe da divina graça, rogai por nós!

(Pe. Anderson Santana Cunha).

(1) S. Agostinho, In. Io. Ev. Tract. 33, 5. (2) cf. Idem, 33, 6.